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Liga dos Combatentes


 

 








 

 

 

 

 








 
 

 

 

  NÚCLEOS

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LISBOA

O clima político que o País atravessou durante e após a Grande Guerra não permitiu oferecer aos valorosos combatentes portugueses, que entretanto regressaram de França, o acolhimento solidário e reconhecido que o seu sacrifício justificava. Este facto levou a que muitos dos combatentes, nomeadamente os feridos, mutilados, exaustos e deprimidos, que, ignorados pelo Estado, foram em muitos casos também hostilizados pelas próprias famílias, tentando aliviar dessa forma, a já depauperada e miserável situação em que já se encontravam. É perante este quadro de degradante penúria e sofrimento em que viviam muitos inválidos de guerra, viúvas e órfãos, que um grupo de combatentes animados de forte patriotismo, altruísmo e sentido de solidariedade, decidem no final de 1919, dar os primeiros passos com vista à criação de uma organização que pudesse dar resposta a tamanha situação de injustiça, à semelhança de associações congéneres, entretanto surgidas noutros países. Desse grupo inicial de inconformados com a situação do Combatentes, sobressai o 2º Sargento miliciano licenciado, João Jayme de Faria Affonso. Espírito inconformista e obstinado, consegue apesar das infrutíferas tentativas anteriores e contra todas as vicissitudes, a adesão de um grande número de portugueses que também tinham participado na guerra, à ideia patriótica e generosa de criação de uma associação de apoio aos retornados de guerra e suas familias. Para esse projecto contou com o valioso contributo do 2º Tenente de Marinha, Horácio Faria Pereira e do Tenente de Artilharia de Campanha, reformado, Joaquim de Figueiredo Ministro, a par da congregação das vontades então já reunidas nas Juntas Patrióticas, que de norte a sul do país iam tomando forma. Das reuniões dessa Comissão Organizadora, no próprio escritório cedido por Faria Afonso, na Rua de S. Paulo, 260-1º Andar, em Lisboa e já com o contributo dos Tenente-Coronel de Infantaria João Maria Ferreira do Amaral e do Tenente-coronel Francisco de Aragão, são elaboradas as bases estatutárias da futura Associação. Esse primeiro projecto de estatutos idealizado por Faria Affonso foi desenvolvido por Faria Pereira. Na Reunião de 16 de Outubro de 1923, é feito um resumo das acções desenvolvidas pela Comissão, nomeadamente das diligências com vista à publicação dos estatutos, instrumento fundamental para a oficialização da Associação. Porém o aspecto fundamental desta reunião terá sido a constituição de uma Direcção da «Liga dos Combatentes da Grande Guerra», génese da actual Liga dos Combatentes. Mas o facto mais relevante para a História do Núcleo de Lisboa foi a nomeação do Tenente-coronel Ferreira do Amaral para Presidente da «Agência de Lisboa», cargo que exerceu até 11 de Março de 1925.

O Tenente-coronel Ferreira do Amaral passou a integrar o grupo de fundadores da Liga após o marasmo inicial e é nesta fase que se verificam os progressos indispensáveis ao sucesso do patriótico projecto. Como se pode constatar, até esse momento o historial da «Agência de Lisboa» dilui-se no da «Liga dos Combatentes da Grande Guerra», pois os protagonistas eram sensivelmente os mesmos e foi na Agência da capital que ficaram associados os seus membros. Isto sem desprimor para os outros entusiásticos e abnegados combatentes que noutras cidades e lugares pugnaram e conseguiram, criar outras «Agências» e «Delegações». De facto o Tenente-coronel Ferreira do Amaral continuou a trabalhar com o grupo fundador, não só pelo facto da Agência funcionar, ainda que provisoriamente, nas instalações da Liga, mas também pelo reconhecimento das suas qualidades e pela confiança que nele depositavam. Isso explica que o Presidente da Agência tenha sido um dos oradores escolhidos para discursar na Cerimónia solene de inauguração da 1ª sede oficial da Liga, no Largo da Trindade, n.º 17 – 2.º Andar, em 23 de Fevereiro de 1924 e que mereceu a presidência do Ministro da Guerra, em representação do Presidente da República. Antes desse significativo evento, em 29 de Janeiro de 1924, finalmente é publicada no Diário do Governo Nº 22, 1ª série, a Portaria 3888, que vem oficializar a Liga dos Combatentes da Grande Guerra e definido o enquadramento funcional das Agências e Delegações, que entretanto já se encontravam em funcionamento! A Agência de Lisboa reúne pela primeira vez a 16 de Junho de 1924, pelas vinte horas, na sede da Direcção da Agência, no Largo Trindade Coelho, Nº 17-2º Andar, em Lisboa. Nesta primeira reunião participaram o Presidente João Maria Ferreira do Amaral e, Miguel Maurício de Faria, Virgílio de Faria Pereira e José Gonzaga Pereira, como membros da Direcção (provisória), todos eles combatentes da Grande Guerra. Nesta primeira reunião o Presidente da Agência, depois de historiar o desenvolvimento e organização da Liga e usando os poderes que lhe foram conferidos nomeou os restantes elementos da 1ª Direcção Oficial que ficou assim constituída:

Tesoureiro: Miguel Maurício de Faria;
Secretário: Virgílio de Faria Pereira; e
Vogal da Direcção: José Gonzaga Pereira.


Desempenhava a função de Amanuense o Sargento combatente Álvaro Ferreira. Como factos também relevantes dessa primeira reunião salienta-se o «estabelecimento» das Delegações entretanto criadas e dependentes da Agência de Lisboa e respectivos Presidentes, que, pelo seu interesse histórico se descriminam:

“La Lys”, 1º Bairro de Lisboa – Décio Pereira Coutinho;
“Augusto Castilho”, 2º Bairro de Lisboa – Francisco António da Silva Azevedo Alpoim;
“Rovuma”, 3º Bairro de Lisboa – Dr. Ernesto Carneiro Franco
“Naulila”, 4º Bairro de Lisboa – Manuel Alberto Figueiredo de Carvalho;
“Oeiras” – Manuel Gonçalves de Monteiro;
“Torres Vedras” – Fernando de Carvalhosa;
“Mafra” – Dr. António Bento Franco;
“Cascais” – Dr. Francisco Avelino de Souza Amado;
“Sintra” – Jayme Garcia Lemos;
“Alcacer do Sal” – António Augusto dos Santos Junior;
“Sezimbra” - Dr. Manoel José Lourenço;
”Grandola” – Raymundo Martins Ramos;
“São Thiago do Cacem” – José Pereira Constantino.


Em Setembro de 1926 a Agência, deixou as instalações provisórias cedidas pela Secretaria de Estado da Aeronáutica e mudou-se para novas instalações na Calçada dos Caetanos, Nº 18 (hoje Rua João Pereira da Rosa). Aí se manteve até 1951, altura em que passou para a Rua do Século, Nº 50-1º Andar. Mas antes de se voltar a fixar novamente na Rua João Pereira da Rosa, nº 18, onde permanece até 1972 e hoje ainda se mantém, a Agência de Lisboa esteve instalada na Rua Presidente Arriaga, Nº 6-1º, até 15 de Junho de 1992. De então até aos dias de hoje várias Direcções se sucederam, redefiniu-se a área de influência e foram efectuadas algumas alterações estatutárias, com reflexo na actividade do Núcleo de Lisboa, contudo, permanecem válidos os valores iniciais que justificaram a sua criação e, em cumprimento dos objectivos da Liga, na área de Lisboa. Dessas alterações, foram certamente as decorrentes da Portaria 745/75, de 16 de Dezembro, que alterou a designação da Agência para Núcleo de Lisboa, que hoje mantém e a que alargou o âmbito dos associados, as que mais impacto tiveram. Assim a inclusão como sócios Combatentes dos ex-militares nas antigas colónias de África e Ásia, terá sido a de maior impacto teve na vida do Núcleo e que mais se reflecte actualmente, tendo em conta que são os associados ligados aos teatros de operações da Guiné, Angola e Moçambique que constituem a maioria dos seus associados.