INAUGURAÇÃO DE MONUMENTO AOS COMBATENTES AROUQUENSES E CRIAÇÃO DO NÚCLEO DE AROUCA DA LIGA DOS COMBATENTES


Em 20 de Fevereiro de 2010 por iniciativa dos Combatentes de Arouca e o apoio da Câmara Municipal de Arouca foi inaugurado um significativo Monumento aos Combatentes naquela localidade. Após concentração na Câmara Municipal em que usaram da palavra o Presidente da Assembleia Geral da Associação dos Ex-Combatentes Arouquenses e o Senhor Presidente da Câmara Engº Artur Neves, foi celebrada uma Missa em memória dos arouquenses falecidos no Ultramar. Pelas 12H00 os antigos Combatentes e famílias concentraram-se na rotunda onde se ergueu o Monumento. Presentes o deputado à Assembleia da República e Vogal da Assembleia Municipal de Arouca Dr. Paulo Portas, o Presidente da Assembleia Municipal Dr. Jorge Oliveira, o Presidente do Conselho Superior Geral da Associação Gen. Álvaro Pereira Bonito, vereadores da Câmara e Presidentes da Junta de Freguesia, Comandante da GNR de Arouca e representantes de outras Associações de Combatentes. Uma Guarda de Honra com fanfarra da Região Militar Norte e uma banda de Arouca ladearam o Monumento. O Presidente da Direcção Central iniciou os discursos salientando os dois momentos solenes que se iam viver: a inauguração do Monumento e a criação de mais um núcleo da Liga dos Combatentes, o Núcleo de Arouca.


Terminada a sua intervenção fez a entrega pública do Guião da Liga dos Combatentes ao Presidente do Núcleo e Presidente da Associação de Ex- Combatentes Arouquenses. Seguiram-se as intervenções do Gen. Pereira Bonito, do Presidente do Núcleo, Senhor Alfredo Martins e finalmente o Presidente da Câmara de Arouca. Seguiu-se a inauguração do Monumento da autoria do escultor Xico Lucena, um majestoso arco do Triunfo alongado no interior do qual se vêem três bustos representando os três Ramos das Forças Armadas. Os Combatentes e famílias em número muito significativo tiraram depois uma fotografia conjunta alusiva ao acto e reuniram-se num almoço de convívio.

 

Discurso do presidente da Liga dos Combatentes, General Chito Rodrigues, na inauguração do Monumento e Núcleo de Arouca da Liga dos Combatentes, em 20 de Fevereiro de 2010

Exmo senhor Presidente da Câmara de Arouca
Exmo senhor General Pereira Bonito
Exmas autoridades Civis Religiosas e Militares
Exmo senhor Presidente do Núcleo de Arouca da Liga dos Combatentes
Exmo senhor Presidente da Comissão do Monumento
Caros Combatentes
Minhas senhoras e meus senhores


Arouca e o município, com as suas vinte freguesias, são hoje um ponto importante no universo dos combatentes que serviram ou servem Portugal.
Aqui, hoje, na sequência da tradição histórica secular das terras de arouca, escreve-se uma dupla página de cariz cultural e humano que esperamos, perdure na memória e no sentimento dos que em Arouca vivem no presente e dos que aqui chegarão no futuro. A mesma memória colectiva que nos chega até hoje, vindo dos remotíssimos celtas e romanos povoadores destas terras silenciosas, ou a memória das belas perspectivas alcantiladas cujos declives permitiram aos paleolíticos arremessos e acertados zagalotes de guerrilheiros de Arouca e Alvarenga levarem a retroceder. A Serra de Freita e o rio Arda são disso testemunhas. É pois dia de regozijo para a população e Combatentes de Arouca e dia de regozijo para a Liga dos Combatentes como um todo. Por um lado, inauguramos um padrão ao esforço e sacrifício das gentes desta terra que durante um longo período de vinte anos partiram ou viram partir seus netos, filhos, maridos ou pais incorporando e sofrendo as interrogações e sofrimento que qualquer expedição ou guerra acarretam, nomeadamente na Índia ou em África. Durante períodos que pareciam não ter fim e a dezenas de milhares de kms de distância. É um facto que ultrapassados os momentos difíceis, a generalidade regressou humanamente enriquecida por outros mundos e outras gentes, mais consciente e capaz de enfrentar os graves problemas da vida. Alguns porém, acabaram por sofrer física e mentalmente os horrores da guerra e outros deram a própria vida. Como é nosso lema afirmar, dizemos: - a Liga não esquece. Todos merecem o nosso respeito e reconhecimento e disso damos testemunho em permanência. Por outro lado, por feliz iniciativa dos Combatentes de Arouca, inauguramos mais um núcleo da Liga dos Combatentes, enriquecendo assim a nossa histórica, quase secular e perene instituição.


É talvez interessante e importante assinalar que a inauguração do monumento materializa o centésimo trigésimo quarto padrão que as gentes de Portugal decidiram erguer em honra e memória dos Combatentes da guerra em África 1961-1974. Entre 1974 e 2004, ou seja em trinta anos, ergueram-se 52 monumentos. Nos últimos seis anos ergueram-se por vontade popular, municipal e dos combatentes mais 82 monumentos, o que perfaz a quantia de 134 monumentos, sobre os quais a Liga dos Combatentes assume a missão histórica e compromisso moral de garantir a sua respeitabilidade e dignidade e que aos mesmos não seja dado destino diferente daquele para que foram erguidos. Arouca é assim o 134.º monumento que se junta a este sentimento colectivo e profundo de respeito e agradecimento para com os que serviram Portugal, de armas na mão, em momento difícil da sua história. Não há vozes que abatam esse esforço e sacrifício do cidadão soldado, no cumprimento de uma missão militar de que só tem que se orgulhar, porque nunca lhe foi pedido para ser responsável político, enquanto estes lhe determinavam que se batesse com armas, na defesa do que então condideravam os interesses vitais de portugal. De realçar igualmente que os Combatentes de Arouca, organizando-se em torno da Liga dos Combatentes, na promoção da história e dos símbolos nacionais, na defesa dos valores éticos e morais do país, bem como no apoio mútuo e solidário para com os Combatentes e famílias mais carenciados e ainda na promoção da cultura, da cidadania e da defesa.


Enfim, na honra aos mortos e na luta pela dignidade dos vivos, Arouca junta-se a oitenta e quatro núcleos, vinte dos quais criados nos últimos cinco anos. Em 2010 tivemos já a satisfação de ver surgir os núcleos de Mirandela e Campo Maior e estamos hoje, oficialmente, materializando a decisão da Direcção Central de 4 de fevereiro, com a criação do núcleo de Arouca da Liga dos Combatentes, constituindo-se no octagésimo quinto núcleo da nossa instituição. Pelo que vos venho transmitindo será fácil constactar que somos uma instituição viva e actuante, com programas estruturantes que abrangem a Liga solidária, a conservação das memórias, a cidadania cultura e defesa, os cuidados de saúde, a inovação e modernização e a passagem de testemunho aos que hoje se batem nos novos conflitos em que Portugal participa. Tal como nós fomos os continuadores dos que se bateram na I Grande Guerra, eles serão no futuro, os que não deixarão no esquecimento o nosso sacrifício e o nosso esforço e se baterão pelos valores que dão estrutura à condição militar em qualquer circunstância. Qualquer cidadão português se pode fazer membro da Liga dos Combatentes bastando para isso que se reveja nos valores e objectivos humanitários que prosseguimos. Contamos convosco no apoio aos combatentes de Arouca e do país.


Meus senhores e minhas senhoras
Permitam-me que agradeça ao senhor presidente da Câmara de Arouca todo o seu apoio para que este acontecimento tivesse lugar. Ao senhor presidente da Associação dos Combatentes Arouquences e agora presidente do núcleo de Arouca da Liga dos Combatentes e a toda a direcção bem como à comissão para o monumento os parabéns e desejos das maiores felicidades dos objectivos agora alargados. Ao arquitecto e executor da obra os nossos parabéns e agradecimentos. Permitam-me uma referência muito especial ao General Álvaro Pereira Bonito que hoje vê materializado um sonho seu de longa data, que sempre me segredou gostaria de ver um dia materializado. A todas as entidades e população de Arouca que nos quis acompanhar neste dia festivo para homenagear os que serviram e servem as Forças Armadas Portuguesas, o nosso muito obrigado garantindo que contam connosco e nós contaremos convosco para que este monumento seja sempre um monumento vivo e estimulante dos valores porque nos batemos como portugueses.


Discurso do presidente do Núcleo da Liga dos Combatentes, em Arouca, Sr. Alfredo Martins, na inauguração do Monumento e Núcleo de Arouca, em 20 de Fevereiro de 2010

Exmos. Senhores:
Presidente da Liga dos Combatentes, Tenente-General Joaquim Chito Rodrigues

Representante do Governador Civil de Aveiro

Presidente do Conselho Superior Geral, Tenente-General Álvaro Pereira Bonito
Presidente da Câmara Municipal Arouca, Eng.° Artur Neves Presidente da Assembleia Municipal de Arouca, Dr. Jorge Oliveira Senhoras e Senhores Vereadores da Câmara Municipal de Arouca Presidentes de Junta e membros da Assembleia Municipal de Arouca Presidente da Junta Freguesia de Arouca, António Rocha Comandante da GNR de Arouca
Presidente da Associação dos Combatentes do Ultramar Português, José Nunes
António David Gonçalves da Silva - representante da Associação dos Deficientes das Forças Armadas
Representante da Cruz Vermelha de Arouca, Prof. Zeferino Brandão
Presidente da Associação dos Bombeiros Voluntários de Arouca, Prof. Dario Tomé
Comandante dos Corpos de Bombeiros de Arouca, Prof. Carlos Esteves
Presidente da Direcção da Banda Musical de Arouca, António Augusto Teixeira Garrido
Escultor Xico Lucena
Ex-Combatentes do Ultramar e seus familiares Órgãos da Comunicação Social

Minhas Senhoras e meus Senhores


Permitam-me V. Exas. que as minhas primeiras palavras sejam dirigidas ao Sr. Presidente da Câmara Municipal de Arouca pela razão de que, para além de ter sido sensível aos argumentos da Associação dos Ex-Combatentes do Ultramar, apoiou financeiramente a construção deste monumento, depois de o assunto ter sido sancionado favoravelmente em reunião da Assembleia Municipal de Arouca, realizada no dia 27 de Dezembro de 2006. Quero agradecer igualmente a presença de tantos Ex-Combatentes do Ultramar, dos seus familiares e amigos nesta cerimónia, que se quer dar homenagem a todos aqueles que, durante uma parte importante da sua juventude, foram alistados para combater em África, em condições fortemente adversas. A Vila de Arouca passa a ter a partir de hoje um monumento aos Ex-Combatentes digno para lembrar os filhos desta terra que morreram na guerra do Ultramar. Mas para chegar a este dia e a esta cerimónia foi necessário ultrapassar uma série de dificuldades e contratempos, desde a decisão política, escolha do local de implantação do memorial, escolha do escultor e da escultura a implantar, obtenção de financiamentos para o monumento, etc, etc.

Vencidas todas estas etapas, encontramo-nos aqui reunidos, não para fazer apologias da guerra, mas para prestarmos a nossa homenagem aos 17 jovens Arouquenses que deram à Pátria o bem mais precioso que tinham - a sua própria Vida. Esta cerimónia pretende também homenagear os cerca de 3.000 jovens Arouquenses que, por imposição do Governo ditatorial de então, partiram para uma guerra que não queriam e que os penalizaram profundamente nos seus sonhos e projectos de vida e que marcaram muitos deles pelos horrores vividos, com os consequentes traumatismos psíquicos e físicos, que impossibilitaram a muitos uma vida futura com qualidade de vida. Portugal tal como é hoje, foi-se construindo ao longo dos seus 9 séculos de história, a partir do século XII com muitas guerras internas e externas. Podemos questionar quais foram as guerras justas ou injustas, quais as que se justificavam e quais as que deviam ter sido evitadas. E também já agora quais foram as razões evocadas pelo Governo de então para as guerras em três frentes no Ultramar? A necessidade e a obrigação de manter a unidade territorial do País, custasse o que custasse. A guerra travada em África entre 1961 / 1974 foi sustentada pelo princípio político de defesa daquilo que a governação de então considerava território Nacional, baseado no conceito de Nação pluricontinental e multirracial. O governo de então foi sempre insensível às vozes de reprovação que vinham dos 4 cantos do mundo, pelo facto de Portugal não reconhecer os princípios inalienáveis, consagrados no direito internacional, da autodeterminação e da independência das colónias de então.

Poderíamos ter conseguido resolver o problema da independência dos territórios africanos, recorrendo ao diálogo e às negociações? Com certeza que sim e isso teria sido MUITO DESEJÁVEL. Acontece que Salazar e Marcelo Caetano fecharam as portas a uma solução política credível. Pais, Mães, Esposas e filhos viram partir para essa guerra os seus entes queridos na flor da idade com sonhos e projectos que ficaram uns por realizar para sempre e outros adiados à espera de melhor oportunidade. Todos estes jovens não foram voluntariamente para África combater, pois a quase totalidade deles não tinham gosto especial pela guerra. Estes jovens que viram cair os primeiros combatentes, que começaram a sentir que não sabiam porque razão estavam metidos em terrenos africanos que lhes eram adversos, foram interiorizando que se tratava duma guerra injusta e injustificável e, conjuntamente com os Capitães de Abril foram criando uma atitude poiítica de que era necessário estancar esta hemorragia da nossa população mais jovem e terminar com uma guerra sem sentido, mesmo que para isso fosse necessário fazer uma revolução. Por isso, se presentemente vivemos num regime de liberdade, se vivemos em democracia, temos que reconhecer que o devemos, sobretudo, à consciência política e cívica que se foi construindo em muito desses jovens, a partir da ideia de ser possível criar, em Portugal, uma Sociedade mais justa, mais solidária e mais fraterna. Ao fim de 35 anos, conseguimos atingir esses objectivos?


Com certeza que muitos dos sonhos e das esperanças criadas com o 25 de Abril não se concretizaram mas, felizmente, estamos melhores em muitos domínios. É certo que tivemos de ultrapassar o problema de integração dos retornados, mas temos que reconhecer que, apesar das dificuldades enormes para resolver os graves problemas sociais e económicos que surgiram, tivemos o engenho e a arte de estar à altura do desafio com que fomos confrontados. Cerca de 3.000 jovens Arouquenses estiveram envolvidos nas guerras no Ultramar. Esquecer o sacrifício que esses milhares de Ex-Combatentes de Arouca fizeram, seria uma ofensa e uma intolerável amargura para quem deu o seu melhor de si mesmo e alguns o bem mais precioso que tinham - a sua própria vida. Não se pode apagar a História, uma Nação, uma Comunidade que não sabe preservar a sua história, não tem razão de existir e tende ao desaparecimento. Não posso deixar de referir uma parte do discurso proferido em 9 de Abril de 2004 pelo então Sr. Presidente da Republica - Dr. Jorge Sampaio nas Comemorações do dia do Combatente: "O que somos como Nação e como País depende em larga medida do contributo que deram muitos combatentes para ultrapassarmos os momentos mais difíceis da nossa História e garantir, deste modo, a perenidade da nossa identidade nacional. A República não se esquece, não pode esquecer a dedicação e o sacrifício de todos estes Portugueses e por isso lhes presta esta sentida homenagem" Queremos, por isso, respeitar a memória daqueles que, em nome da identidade nacional e ao serviço de Portugal passaram horrores, que dificilmente esquecerão e sobretudo aqueles que deram à Pátria o seu sangue generoso. Sobretudo perante estes últimos, curvamo-nos em sinal de respeito, lembrando os símbolos que estão inscritos, em sua honra, neste memorial que hoje inauguramos e que fizeram parte da sua história de vida.

CORAGEM HONRA GLÓRIA SAUDADE
Estes 17 jovens Arouquenses e os combatentes Arouquenses que ficaram estropiados e traumatizados fisica e psicologicamente merecem que não os esqueçamos. Todos estes Ex-Combatentes só morrerão verdadeiramente quando nós os esquecermos. E isso NÃO VAI ACONTECER


VIVA PORTUGAL