DISCURSO NA HOMENAGEM AOS COMBATENTES DO CONCELHO DE MORA
25 de Setembro de 2010
O acto público que hoje aqui é realizado é uma forma de retribuição, reconhecimento e honra aos Homens do Concelho de Mora que um dia, assumindo a palavra dada e dignificando a Bandeira Nacional, partiram para longe, envergando um uniforme das Forças Armadas de Portugal. Partiram, levados pelo que era seu dever, deixando familiares, namoradas e amigos. E, depois disso, 5 não regressaram a Mora, 4 não retornaram a Cabeção e 1 não voltou a Pavia! E ninguém mais os viu falar, sonhar ou sorrir ou, sequer sentiu a sua presença! Com este acto de cidadania e memória partilhada, a partir de agora, quem passar por este Largo hoje, amanhã e sempre, saberá que destas terras também partiram alguns dos mais de um milhão de Portugueses, que foram mais Portugueses do que muitos outros que o dizem ser. Os Combatentes por Portugal, cidadãos de parte inteira e a quem, frequentemente, insultam com palavras, actos e omissões e, despudoradamente, a quem tudo fazem para humilhar uma geração de Homens que, de 1954 a 1974, deram a esta Nação, que é a nossa, tudo o que de melhor tinham – a juventude e a vida.
Permitam que neste acto preste Homenagem à Mulher Portuguesa:
- À Avó que, muitas vezes, partiu sem se despedir do seu neto;
- À Mãe que, na hora da partida e com o coração despedaçado, sempre encontrou forças para trocar as lágrimas por um sorriso de ânimo e encorajamento;
- À Namorada que, angustiada, via partir o seu projecto de futuro e que, muitas vezes, se desfez;
- À Esposa que, na ausência do seu Homem, soube ser pai e mãe;
- À Mulher que, depois da Guerra, continuou a apoiar o seu Homem que, em alguns casos, regressou incapacitado ou mesmo doente.
A Mulher Portuguesa foi, e algumas delas continuam sendo, também, Combatentes por Portugal – Heroínas de Portugal! Participando nesta Cerimónia, temos uma força da Escola Prática de Artilharia. Permitam-me que lhes dirija algumas palavras e um convite. Bem-haja ao Exército Português por reconhecer o valor de quantos, envergando uniformes das Forças Armadas Portuguesas souberam honrar e dignificar o seu Juramento, a Bandeira Nacional e Portugal. Hoje, como outrora, o Soldado Português é um Combatente pela Paz e pela Liberdade. E a vós, militares, deixo o convite, desafio se quiserem, para que num futuro próximo, venham a ocupar o lugar dos “Porta Guião” que, bem à vossa frente, estão sendo ostentados por Homens que há 40 anos eram tão jovens como vós, envergavam o mesmo uniforme, tinham tido sonhos idênticos aos vossos e, muito justamente, hoje, se orgulham do dever cumprido.
Por último, deixem-me que preste Homenagem ao Poder Autárquico por ser aquele que conhece, apoia, dignifica e honra o Cidadão Combatente. Daqui para cima perde-se o Homem e aparece o Nº de Contribuinte!
Obrigado pela atenção que me quiseram dispensar.
Lucas Hilário, Coronel