Núcleo da Liga dos Combatentes na inauguração do Centro de Apoio em Beja
05DEZ2011 - Na inauguração do CAMPS - Centro de Apoio Médico-Psicológico e Social do Alentejo e Algarve, em Beja, no passado dia 5 de Dezembro, nas instalações cedidas pela Base Aérea de Beja, esteve presente uma Delegação do Núcleo de V.N.S. André, que participou não só na inauguração, como nas visitas antecipadas ao Regimento de Infantaria e à Base Aérea 11 de Beja. Nessa visita houve a oportunidade de visitar parte das instalações da Base Aérea e colher informações, nomeadamente, a de que a Base ocupa cerca de 900 hectares, tem um perímetro de 13 quilómetros e ocupa o 2o ou 3o lugar como empregador da cidade de Beja. À inauguração do Centro de Apoio estiveram presentes: o Presidente da Liga dos Combatentes, General Xito Rodrigues; o Comandante da Base Aérea de Beja; o Comandante do Regimento de Infantaria de Beja; o representante da C.M. Beja e algumas dezenas de membros dos Núcleos da Liga dos Combatentes de Vila Real de S. António; Tavira; Loulé; Lagos e V.N.S. André, acompanhados por alguns familiares.
O General Chito Rodrigues (na foto durante o discurso) saudou as entidades e dirigindo-se aos combatentes e familiares presentes, iniciou o seu discurso afirmando "...os combatentes e suas famílias procuram colmatar as falhas que o Estado abre no apoio aos cidadãos como um todo. É nessas falhas de apoio que nós procuramos actuar, para que os antigos combatentes e familiares possam ter uma orientação, um caminho, um acompanhamento no campo da saúde. Os membros da Liga e seus familiares sabem o que andamos fazendo e quais são os nossos programas estruturantes, quer no apoio à 3a idade, liga solidária, na conservação das memórias, por esse mundo fora, dignificando as campas onde ficaram os militares portugueses caídos. No programa da Cultura, Cidadania e Defesa, sublinho o Museu dos Combatentes junto à Torre de Belém em Lisboa. A própria modernização e inovação, que faz parte de um programa que temos em desenvolvimento, a passagem de testemunho, a passagem de testemunho, que é fundamental para que seja garantida a perenidade da Liga dos Combatentes.
Está nas vossas mãos encontrar aqueles que já serviram nas operações de paz e humanitárias, para os trazer para a Liga dos Combatentes, ou os vossos filhos, ou os vossos netos, porque serão eles que um dia, quando os combatentes do Ultramar, assim como desapareceram os combatentes da Grande Guerra, garantirão a perenidade da nossa instituição, como instituição defensora dos valores da Pátria, na promoção da História, dos símbolos nacionais por um lado e a garantia de que, aqueles que partirem um dia do país, terão o apoio mínimo, necessário e suficiente para continuar uma vida digna. Por isso hoje tiveram a oportunidade de contactar com unidades das Forças Armadas, que nos abriram as portas. Alguns de vós mataram saudades doutros tempos, as famílias tiveram oportunidade de ver que as Forças Armadas continuam na sua missão de manter a nossa soberania. Tivemos também a sorte e a coincidência, logo de manhã, de termos na nossa frente, cerca de 150 jovens, a quem dissemos que fomos jovens como eles. Os que estavam ali tinham cerca de 18/19 anos, muitos de nós com essa idade meteram-nos nas mãos uma arma e seguimos para Angola, para a Índia, e mais tarde para a Guiné e Moçambique. Quando tão jovens como eles, e cumprimos, cumprimos!
O que a Liga dos Combatentes faz é estabelecer essa garantia, e que aqueles cidadãos, ligeiramente diferentes do cidadão comum, que embora todos sejamos iguais em direitos e deveres, há uns a quem exigiram o cumprimento de mais deveres, portanto têm alguns direitos, para além do cidadão comum e o Estado não os pode esquecer. A nossa Liga dos Combatentes, Instituição Particular de Solidariedade Social, tem de garantir que não seremos esquecidos, nem em tempo de crise. E temos todos, todos, de dar algo de nós próprios, aqueles remediados ou que mais podem, para que se nos faltar o apoio do Estado, não deixarmos que os nossos companheiros combatentes que mais precisam não deixem de ter uma vida com o mínimo de dignidade. O núcleo forte da Liga composta por centena e meia de membros, muitos deles não são combatentes são cidadãos comuns, ou não fizeram a guerra, são militares, ou ex-militares, mas temos esse núcleo duro que ainda se bateu na frente de combate, esses já têm idade em que não podem "hibernar", não os podem pôr a "hibernar", têm que ter apoios necessários e suficientes para garantir a dignidade das suas vidas.
Tenho esperanças, porque ainda não sei qual é o apoio que o Estado, através do Ministério da Defesa Nacional, nos vai conceder, que tenhamos os apoios necessários e suficientes para continuarmos a cumprir uma missão, que não depende das políticas, não dependeu do antes ou depois do 25 de Abril, nem da República, dependeu de nós, e da força que nós temos, e da força que um punhado de combatentes como nós para criar esta instituição, com a força tal que ela boje continua crescendo, em numero de núcleos, em numero de sócios, não é uma instituição de velhinhos, é uma instituição que quer ser jovem e tem que fazer cada vez mais por ser jovem e garantir a sua perenidade. Sempre que saio a visitar os Núcleos por todo o país contrario aquilo que o Fernando Pessoa dizia: “o Homem sonha, a Obra nasce”, nós preferimos outro ditado, outro tema: “O Homem quer a Obra nasce”, é isso que temos estado a fazer na Liga dos Combatentes. Queremos que a Liga dos Combatentes seja uma instituição VIVA, PERENE, estamos a fazer por isso. A nossa divisa é: “Liga dos Combatentes, Valor Permanente, Liga dos Combatentes em Todas as Frentes”, e queremos que assim seja". Naturalmente que o discurso do General Chito Rodrigues foi entusiasticamente aplaudido pelas dezenas de participantes nesta jornada de convívio que decorreu nas instalações do CAMPS - Centro de Apoio Médico-Social, da Liga dos Combatentes inaugurado em Beja.
In O Leme - Raúl Oliveira