A Liga dos Combatentes em Moçambique - Operação "Nova Frente"

 

Terminada a intervenção na República da Guiné-Bissau, a Liga dos Combatentes estabeleceu uma NOVA FRENTE A REPÚBLICA de MOÇAMBIQUE, para prosseguir a sua actividade de Conservação das Memórias. Na observância dos objectivos desse seu Programa Estruturante, a Liga dos Combatentes partiu, em 4 de Setembro pretérito, para Moçambique e durante 19 dias deslocou-se pelo País, percorrendo a Norte as províncias de NAMPULA, NIASSA, CABO DELGADO e ainda o cemitério de GURUÉ na ZAMBÉZIA. A Sul, percorreu MAPUTO, INHAMBANE e GAZA reconhecendo os cemitérios municipais dessas províncias onde se encontram inumados militares que tombaram na I Guerra Mundial e na Guerra do Ultramar, identificando também alguns locais de inumação que se constituem actualmente em locais abandonados de vida humana e à mercê das alterações que a natureza introduz, tudo registando para posterior tratamento documental e concepção da acção de dignificação, a conduzir oportunamente.

Durante 19 dias, percorrendo as províncias referidas, concretizaram-se todos os objectivos definidos para esta acção de intervenção, devendo ser referido o bom estado de conservação geral de muitos cemitérios visitados e a colaboração das autoridades administrativas provinciais para ajudarem a localizar as campas situadas em zonas fora dos cemitérios. Cerca de 7 mil quilómetros percorridos em viaturas todo o terreno e várias horas de deslocação em avião (linhas aéreas de Moçambique) proporcionaram à Equipa de Missão da Liga dos Combatentes efectuar o total levantamento da situação em que se encontravam os Cemitérios e as Campas neles instaladas, ou fora deles, por forma a que o antecipado conhecimento que a Liga possuía dos locais e do quantitativo de Campas a identificar e posteriormente intervencionar, pudesse ser validado no terreno.

A situação real proporcionou ajuizar dos estragos que a natureza, as intempéries e os muitos anos passados sobre as inumações ocorridas têm provocado em Campas e em Cemitérios, partindo placas de cimento e destruindo identificação em muitas das Campas, provocando abatimento de solos e vendo crescer árvores de grande porte cujas raízes desagregam Campas e outras infraestruturas cemiteriais. No quadro anteriormente descrito, regista-se o cuidado das autoridades locais em preservar o que podem, pintando muros e armaduras de campas, evitando a degradação total de infraestruturas e proporcionando-nos a certeza de que têm preservado deliberadamente um espaço de memória física daqueles que tombaram. Há excepções, nalguns locais o abandono era total e elevado o desinteresse pelos Talhões de militares portugueses, mas os contactos com os Administradores do Governo Local proporcionaram criar uma relação que visa a contratualização de serviços de manutenção daqueles espaços.

A Equipa de Missão da Liga dos Combatentes não logrou contactos com Autoridades Governamentais do Governo Central de Moçambique, embora a Embaixada e o Consulado de Portugal naquele País tivessem diligenciado nesse sentido, mas a data da chegada a Moçambique da Equipa da Liga dos Combatentes constituía um momento singularmente delicado da governação do País e não possibilitou a credenciação documental da Missão, embora esta estivesse antecipadamente respaldada na intervenção da Embaixada de Moçambique em Portugal para garantir a boa execução da Missão, o que de facto veio a suceder.

Regressando a Equipa de Missão da Liga dos Combatentes a Portugal, em 22 de Setembro, validando o sentimento de ter cumprido o objectivo da Operação "NOVA FRENTE", a Equipa visitou 24 locais diferentes, todos os que se propunha visitar e "estudar", de Maputo a Tenente Valadim esta a poucas dezenas de quilómetros da Tanzânia e a 50 quilómetros de Mavago, passando por Chibuto, Inhambane, Nampula, Angoche (António Enes) Malema (Entre Rios), Mirrote, Malapísia, Marrupa, Metangula, Mecaloge (Miranda), Mechuma (Nova Coimbra), Cuambo (Nova Freixo), Unango, Lichinga (Vila Cabral), Macomia, Mocimboa da Praia, Montepuez, Mueda, Palma, Quionga e Pemba. Ficaram bem alicerçados no terreno, para efeitos mediatos, os contactos com Administradores locais que activarão contratualmente melhorias já definidas e, em particular, com a Cônsul Honorária de Portugal em Nampula, neste último caso para se desenvolverem todas as diligências que viabilizem a construção de um Ossário que receberá as Ossadas dos militares a exumar de diversos locais das províncias de Nampula, Niassa e Cabo Delgado, num total estimado em cerca de 20.

A Equipa de Missão da Liga dos Combatentes regista o apoio logístico dos Irmãos Missionários da Consolata, não esquece o apoio institucional da Secretaria de Estado da Defesa Nacional e dos Assuntos do Mar, da Embaixada e do Consulado de Portugal em Moçambique, destaca o apoio do Cônsul Honorário em Nampula Dr.ª Maria Luísa e regista a colaboração da Direcção Geral de Política de Defesa Nacional através da Cooperação Técnico Militar Portuguesa que tutela, em Maputo e Nampula. A Liga dos Combatentes voltará a Moçambique e à Missão de continuar a CONSERVAÇÃO DAS MEMÓRIAS em Junho de 2011, percorrendo, reconhecendo e "estudando o terreno" que a aguarda nas Províncias de Tete, Zambézia, Manica e Sofala, sem deixar de consolidar nas outras Províncias as tarefas já iniciadas.É oportuno deixar um testemunho de respeito e de admiração a todos os Militares portugueses que em Moçambique Serviram Portugal e que para tal enfrentaram o desconforto, o isolamento e a solidão imensa, dando de si o melhor. Pelas terras onde andámos, nós que estivemos também no Ultramar, não conseguimos deixar de progressivamente acumular um sentimento de profundo respeito por todos aqueles que, naqueles locais, fizeram da sua vida renúncia em favor de Portugal. A Equipa de Missão foi constituída pelo Major-general Fernando Aguda, pelo Tenente-coronel Álvaro Diogo, Tenente-coronel Carlos Correia e Sr. Joaquim Gaspar, antigos Combatentes em diferentes teatros de operações no Ultramar e actualmente membros da Liga.