Dia do Combatente – Batalha, 10 de Abril de 21010


10ABR2010 - Teve lugar na Batalha, mais uma comemoração do Dia do Combatente, onde foram evocados o 92.º Aniversário da Batalha de La Lys (09 de Abril) e a 74.ª Romagem ao Túmulo do Soldado Desconhecido. As comemorações iniciaram-se com uma missa dita por Sua Exa. Reverendíssima o Bispo das FA's, D. Januário Torgal Ferreira, em que estiveram presentes os generais CEMGFA, CEMA, CEME e CEMFA para além das entidades locais, nomeadamente o Presidente da Assembleia Municipal da Batalha e representante da CM e o Governador Civil de Leiria. Sua Exa. o Presidente da República presidiu depois à cerimónia, tendo à sua chegada sido recebido pelo Ministro da Defesa Nacional, General CEMGFA e Presidente da Direcção Central da Liga dos Combatentes. Uma Guarda de Honra prestou as Honras Militares com o Hino Nacional e 21 salvas de artilharia. Usou da palavra o Tenente-general Joaquim Chito Rodrigues, Presidente da DC da Liga dos Combatentes. Seguidamente o Senhor Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva proferiu um discurso alusivo ao Dia do Combatente. Após a assinatura do Livro de Honra da Liga dos Combatentes, no Museu das Oferendas, onde deixou uma mensagem aos Combatentes, Sua Exa. o Presidente da República dirigiu-se à Sala do Capítulo por entre alas dos Guiões dos Núcleos da LC e Associações de Combatentes presentes.

Cerca de trinta entidades colocaram coroas de flores no Túmulo do Soldado Desconhecido, aos pés do Cristo das Trincheiras terminando as cerimónias com o Hino Nacional tocado pela Banda do Exército. De salientar, a grande afluência de Combatentes e o conteúdo dos discursos proferidos.

 

Discurso do Presidente da República por ocasião do Dia do Combatente 2010 Mosteiro da Batalha, 10 de Abril de 2010

Senhor Ministro da Defesa Nacional,

Senhor Chefe do Estado-Maior-General das Forças Armadas,

Senhor Presidente da Comissão da Defesa Nacional da Assembleia da República,

Senhores Chefes Militares,

Senhor Presidente da Liga dos Combatentes,

Senhores Representantes do Poder Local,

Senhoras e Senhores,

Combatentes,

Neste local do maior significado para os combatentes portugueses, o Mosteiro de Santa Maria da Vitória, celebramos hoje o Dia do Combatente e evocamos, em simultâneo, a memória da Batalha de La Lys ocorrida há precisamente 92 anos. A cerimónia que aqui tem lugar é um testemunho vivo de amor pátrio e de coesão nacional, expressos numa comunhão de sentimentos de orgulho por um passado que nos une e pelos valores que nos fizeram erguer Portugal como Nação livre, soberana e independente. A presença de todos nós aqui, neste local, é também uma afirmação de vontade inquebrantável de continuar Portugal. De expressar de forma clara que devemos abraçar com respeito a nossa história, acolhendo as lições que ela nos deu e valorizando os nossos heróis, o muito que demos ao Mundo e a matriz de valores humanistas que difundimos. Mas hoje, e acima de tudo, trata-se de um preito de homenagem aos combatentes, a todos os que deram, e dão, o melhor de si, até a própria vida, por esta Pátria que amamos.

Curvamonos perante o seu esforço, a sua coragem e o seu sacrifício. Sendo a ocorrência de conflitos e de guerras uma constante da história, devemos reconhecer o papel dos combatentes e ter presente que, a par da glória dos vencedores e das suas consequências políticas e sociais, a guerra é feita de sacrifícios e dor, onde muitos sublimam as suas capacidades e sofrem no corpo e na alma o preço pelo dever cumprido. Aqueles que se dispõem a combater ao serviço de Portugal devem merecer de todos nós o maior respeito e admiração.

Caros Combatentes,

Paradoxalmente, comemoramos o Dia do Combatente numa data que assinala uma das maiores derrotas militares envolvendo tropas portuguesas: a Batalha de La Lys. Ali se perderam cerca de 7.500 homens, entre mortos, feridos, desaparecidos e prisioneiros. Mais de um terço dos efectivos portugueses na Flandres. Uma derrota que, todavia, se traduziu num contributo significativo para o sucesso do esforço aliado em contrariar a ofensiva alemã. Sendo certo que na guerra não se vencem todas as batalhas, interessa retirar as ilações que nos permitam melhorar e evitar futuros desaires. Nesta perspectiva, merecem particular reflexão algumas circunstâncias que marcaram a participação de Portugal na I Grande Guerra:

La Lys foi um testemunho sublime e pungente de determinação e de coragem de militares que, praticamente esquecidos nos lamaçais das trincheiras da Flandres, escolheram honrar Portugal naquele que foi um dos mais dramáticos hinos à capacidade de sofrimento e de amor à Pátria do Soldado Português. Os ex-combatentes que lutaram na Flandres já não se encontram entre nós, mas estão nos nossos corações. Dirijo uma palavra de reconhecimento e de saudade aos seus familiares, pelo imenso sacrifício que realizaram por Portugal. Como Comandante Supremo das Forças Armadas, permitam-me recordar de forma especial os bravos de La Lys. O filho de um Tenente de Infantaria que ali combateu ofereceu-me recentemente um livro, escrito pelo seu pai, que retrata a vida nas trincheiras. Lendo-o, mais vivos se tornam os sentimentos de respeito e de admiração por todos aqueles que, com um desprendimento e com uma simplicidade heróicos, se dispuseram a enfrentar o destruidor ataque alemão sabendo que iam morrer. Em sentida homenagem aos seus soldados nas trincheiras o Tenente Pina de Morais escreve:

“É aqui o nosso lugar de espera --- esperamos.
(…) É o nosso dever. Sinto correr um suor frio pelo corpo. Eu sei que ninguém recuará --- todos se batem.” E, numa saudação final, dedica estas palavras aos seus homens:

(…) Escrevo-vos apenas para deixar aos nossos mortos – a nossa lembrança. Aos nossos mortos, que ficaram nas campinas dolorosas da Flandres nevoenta. Caíram (…) levando (…) no coração um sentimento de grandeza que ninguém igualará. Nas suas campas de acaso, à beira de aldeias, nos ermos, sob as árvores (…) – eles terão sempre como uma prece a nossa lembrança, como carinho o nosso triunfo, como saudade a nossa admiração. (…) Todos poderão esquecê-los menos nós (…) temos de nos curvar ao respeito que infundem os que ficaram nessa cruzada do nosso século. Que descansem – os heróis mortos.” Dirijo hoje, também, a minha saudação aos antigos combatentes que lutaram nos diversos teatros de guerra a que foram enviados em nome de Portugal. Os combates na Índia, em Angola, em Moçambique e na Guiné-Bissau materializaram o fim violento de um ciclo nacional, mas que deixou, nas picadas sangrentas então trilhadas, honra militar capaz de abrir o caminho a uma cooperação fraterna e frutuosa, que hoje existe. Quero ainda saudar os militares e os antigos militares que, mais recentemente, foram chamados a participar em missões em teatros de operações longe do território nacional. As características das operações militares em que estiveram ou estão envolvidos comportam, em muitos casos, acções de elevado risco e grande importância na defesa da paz e dos interesses de Portugal.

Estes são os nossos actuais combatentes, briosos e dignos representantes da tradição militar nacional. Portugueses, Foi com homens desta estirpe que se fez Portugal, trilhando um caminho árduo, feito com honra e nobreza, com sacrifício e entrega, com coragem e bravura. Por isso os combatentes são um pilar essencial da reserva moral da nação. Temos, contudo, de ser mais ambiciosos. Nas dificuldades que vivemos, não podemos deixar de mobilizar estas capacidades e qualidades, activos que tão importantes podem ser para as ultrapassar. Combatemos em múltiplas trincheiras: pelos ideais da paz e da liberdade; pela justiça e pelos mais desfavorecidos; pela soberania e pela independência; pelo progresso e pelo bem-estar dos Portugueses; pelo nosso futuro individual e colectivo. Temos de reconhecer que a felicidade de cada um, tão exaustivamente procurada, está muito dependente da capacidade de nos realizarmos como grupo, de forma solidária. É preciso, sobretudo, criar um ambiente de responsabilidade individual e social assente em valores como os da honestidade, do reconhecimento do mérito, da verdade e, em especial, da honra. Importa erguer Portugal com sentido de inclusão, sem esquecer ninguém, sem deixar ninguém para trás. Os combatentes têm este espírito bem inculcado no seu carácter. Importa que sejam capazes de o disseminar na nossa sociedade e que estejamos todos disponíveis para o absorver.

É tempo de nos unirmos e identificarmos o que podemos e devemos fazer por Portugal. O espírito de serviço e de luta pelo bem comum, tão queridos aos combatentes, têm de ser prosseguidos por todos os portugueses. Cada português tem de ser um combatente por Portugal. Só assim fará sentido o sacrifício de tantos combatentes que nos precederam e que hoje, aqui, homenageamos.

Bem hajam.

 

Discurso do Presidente da Liga dos Combatentes, General Chito Rodrigues

Exmo Senhor Presidente da República, Excelência. Preside V.ª Exª hoje às comemorações do Dia do Combatente. Permita que, na pessoa de VªExª, me dirija a Sua Exºa o Presidente da República, mas também ao Comandante Supremo das Forças Armadas e ainda ao Presidente de Honra do Conselho Supremo da Liga dos Combatentes e também ao cidadãosoldado que, em determinado tempo da sua vida, foi mobilizado para, no cumprimento do seu dever, servir Portugal num Teatro de Operações em África. Situação ímpar, irrepetível noutros ambientes e só repetível entre nós combatentes, o que constituindo uma subida honra, constitui igualmente oportunidade para uma partilha de sentimentos comuns. Digna-se Vª Exº presidir a uma cerimónia do mais alto significado para os que serviram e servem Portugal nas Forças Armadas. A presença do Comandante Supremo das Forças Armadas num dia em que se evocam os Combatentes de Portugal, nomeadamente aqueles que, conhecidos ou desconhecidos, caíram no campo da honra, testemunha o seu reconhecimento pessoal e permite que o acontecimento se projecte no imaginário de toda a população portuguesa, através dos inestimáveis canais da comunicação social.

Exmo Senhor Ministro da Defesa Nacional
Exmo Senhor General CEMGFA
Exmo. Senhor Presidente da Comissão de Defesa Nacional da AR
Exmo. Senhor Almirante Chefe de Estado Maior da Armada
Exmo. Senhor General Chefe do Estado-Maior do Exército
Exmo. Senhor General Chefe do Estado-Maior da Força Aérea
Exa Reverendíssima o Bispo das Forças Armadas e de Segurança
Ilustres Entidades e Autoridades Civis, Militares e Religiosas Nacionais, Locais e de Países Amigos
Ilustres Convidados

Caros Combatentes
Minhas Senhoras e Meus Senhores

Comemoramos hoje mais um Dia do Combatente. A Liga dos Combatentes fá-lo tal como o fez durante décadas, com o apoio dos Chefes de Estado Maior dos Ramos das Forças Armadas a que se juntaram desde 2003 a generalidade das Associações de Combatentes. Significa isso que evocamos o homem português, os seus feitos e suas dificuldades, sempre que foi chamado a construir Portugal e a defendê-lo. Nos primeiros três séculos, saindo de Guimarães consolidou nos Algarves a conquista do seu “Primeiro Império”, a que chamou e ainda hoje chama, Portugal. No século XV e por um período de cinco séculos, construiu e desenvolveu o seu “Segundo Império” a que chamou de Ultramar. Quis a História que aos combatentes do século vinte fosse em permanência solicitado, pelo poder político, para que defendessem o “Segundo Império”. Disso a Liga dos Combatentes è testemunha ocular e vivente. Assim foi nomeadamente na primeira Guerra Mundial. Assim foi na Guerra do Ultramar, até que as circunstâncias os conduziram a participarem activamente no fim desse mesmo “Segundo Império”.

Reconduzidos à primeira condição, ambicionam agora que se lhe apresentem solicitações para participarem na construção de algo de novo, agora em comunhão com os seus amigos e aliados. É espectável que possam agora ser solicitados a participarem na construção de um “Novo Império”: - O Império do Desenvolvimento, da Democracia e da Paz.

Tudo indica que esse “Novo império”, em construção com a participação do cidadão e combatente português, se chame Europa. De facto, não faz parte da nossa indiocincrasia, não sabemos, nem podemos ficar olhando apenas para o que se passa junto a nós ou para além do monte. Temos que, como sempre, conhecer e preocuparmo-nos com o que está para além do horizonte. Foi com esse olhar que construímos a primeira aldeia global e mudámos o mundo. É esse olhar e conhecimento profundo, do espaço e do tempo, que deve ajudar-nos a reconstruir o futuro, rejubilando com sucessos e ultrapassando crises. É atribuída a Camões a frase: “ Morro mas morro com a Pátria”. Camões foi o nosso maior poeta mas não o nosso maior profeta. Quinhentos anos depois aqui continuamos nós, evocando a nossa e sua ditosa Pátria. A estrada da História marcou-nos, a nós, gerações do século vinte, atirando-nos para terras africanas à procura dos interesses vitais do país, com os sacrifícios e o sangue que só essa Pátria tem o direito de exigir. Não vimos hoje aqui, porém, evocar, celebrar ou comemorar a guerra ou alimentar o “Mito da experiência de Guerra”.

Mas sublinhamos e damos relevo à necessidade de uma conservação e construção memorial que quer a 1ª República quer a Ditadura, a seu modo, menosprezaram e que só a existência de Instituições como a Liga dos Combatentes, nos permitiram trazer até hoje. Lembramos a trilogia que nos reúne neste dia: - No Quadro das Comemorações do Centenário da Primeira República, evocamos em especial o Combatente Português na Primeira Guerra Mundial, na Guerra do Ultramar e nas Operações de Paz e Humanitárias. O Século vinte acaba por criar, por força da força dos combatentes participantes naqueles conflitos, uma espécie de religião cívica, com base em símbolos universalizantes, no espaço e no tempo, e que passam:

- Pelas datas comemorativas do 9 de Abril, 10 de Junho e 11 de Novembro, celebrados há quase um século; Para além do 5 de Outubro e do 25 de Abril.
- Pelos mortos dignificados em talhões militares em Portugal e no estrangeiro;
-Pelas centenas de monumentos erguidos, mais pela força e sentimento populares, de famílias e de combatentes, do que pela assunção dos governos.
- Pelas cerimónias evocativas das vitórias conseguidas e derrotas sofridas.

A cerimónia de hoje, conjugando ao mais alto nível, a memória oficial com a memória pública. é mais um momento com significado histórico, pois aproxima os Homens, rejuvenesce a assunção da História, fortalece a memória colectiva e trás aos combatentes o reconfortante e quantas vezes ilusório sentimento de que nunca estiveram, nem estão sós. Se é importante preocuparmo-nos em conhecer o que está para além do horizonte, não deixa de ser importante e mesmo fundamental dominar os problemas que se encontram no ambiente que nos envolve. Por isso, no que nos diz respeito, a resolução dos problemas e a dignificação dos que servem ou serviram as Forças Armadas é uma preocupação permanente das Associações de Combatente. Sentimos que os combatentes e seus problemas não devem ser utilizados como arma de propaganda política. Nem os vivos, nem os mortos…

Estes, os mortos, também não suportam demagogia e requerem dignidade. É esse o sentido das difíceis acções que a Liga dos Combatentes vem desenvolvendo em África e no mundo. A demagogia ofende a memória de todos, em particular dos mortos de Richebourg, Boulogne-sur Mer, Antuérpia e Londres e Salomé onde repousam com dignidade há mais de 90 anos, 1878 soldados de Portugal, caídos na primeira guerra da Republica. Lutamos igualmente pela dignidade dos combatentes vivos. Neste dia, ao evocarmos as nossas vitórias e nossas derrotas que são vitórias e derrotas de Portugal, não podemos deixar de recordar e sintetizar as necessidades de reconhecimento e de apoio do Estado que tais vitórias e derrotas acarretam para os combatentes e suas famílias:

- Apoio à sua saúde física e mental;
- Apoio social e à inclusão social;
- Apoio à cultura da cidadania, segurança e espírito de defesa dos portugueses.

Muito tem sido feito.
Muito resta por fazer em apoio de combatentes deficientes, traumatizados física e mentalmente, idosos, carenciados, excluídos socialmente. Eles vivem em crise permanente. A crise temporária que nos afecta a todos, não pode justificar um menor apoio à
sua crise permanente.

Minhas senhoras e meus senhores

Há precisamente 89 anos que a este lugar chegava um cortejo presidido pelo Presidente da Republica acompanhando dois soldados desconhecidos, um caído em Moçambique outro na Flandres durante a 1ª Guerra Mundial. Desde essa data a Liga dos Combatentes e desde alguns anos a esta parte outras Associações de Combatentes, aqui têm vindo todos os anos, em romagem e evocação. Neste lugar sagrado, cruzam-se em permanência memórias históricas e uma tradição patriótica, humanista e cosmopolita, escritas por homens – soldados, com suor e sangue português, na lama europeia da Flandres, nas florestas e capins de Angola, Moçambique e Guiné ou nas montanhas da Bosnia e Afeganistão. No próximo ano perfazem-se 50 anos sobre o começo da Guerra do Ultramar; - a 2ª Guerra da República.

Os combatentes não o esquecerão e irão evocar esse acontecimento. Em nosso espírito estará na sala do capítulo deste Mosteiro, desde logo, mais um soldado desconhecido. O representante dos soldados desconhecidos dessa Guerra e foram muitos os que recentemente encontrámos pelas terras de África. A pedra que os cobre hoje deixará de ser apenas de evocação aos Soldados Desconhecidos da Iª Grande Guerra, para se tornar num monumento de evocação dos Soldados Desconhecidos de Portugal.

Minhas Senhoras e meus Senhores

Termino, evocando no quadro do Centenário da Republica Portuguesa todos os soldados de Portugal. Eles confundem-se conforme as circunstâncias, entre os da espada, do gládio e os do arado. Não encontro melhor síntese que ilumine as circunstâncias do cidadão-soldado e a cultura da cidadania, segurança e espírito de defesa, do que a poesia de António Gedeão, que o próprio titulou de “Poema de Terra Adubada” “As árvores são belas com os troncos dourados São boas e largas para esconder soldados Não é o vento que rumoreja nas folhas Não é o vento, não São os corpos dos soldados rastejando no chão. O brilho súbito não o é dos limbos das folhas reluzentes É das lâminas das facas que os soldados apertam entre os dentes As rubras flores vermelhas não são papoilas, não É o sangue dos soldados que está vertido no chão Não são vespas, nem besoiros, nem pássaros a assobiar São os silvos das balas cortando a espessura do ar. Depois os lavradores Rasgarão a terra com a lâmina aguda dos arados E a terra dará vinho e pão e flores Adubada com os corpos dos soldados.” Neste Dia do Combatente, sairemos daqui serenamente convictos de termos mais uma vez reforçado a Memória Imaterial do Povo Português.

De facto, a Identidade Nacional, consubstanciada numa Pátria e numa História seculares, tendo expressão no sentimento colectivo e materializada em símbolos, cuja existência e visibilidade, estão aqui bem presentes, reforçam a nossa identidade como povo e testemunham a grandeza da nossa Memória Imaterial. A nossa razão de ser. Por isso vale a pena continuarmos a honrar os combatentes mortos e a lutar pela garantia da dignidade dos combatentes vivos. Contamos com o apoio de V. Exas. Contamos com o apoio e compreensão dos portugueses.

Joaquim Chito Rodrigues
Tenente-general