DIA DO COMBATENTE
77.ª ROMAGEM AO TÚMULO DO SOLDADO DESCONHECIDO E 95.º ANIVERSÁRIO DA BATALHA DE LA LYS
06 de Abril de 2013

 

 

06.04.2013 – Cerimónias do Dia do Combatente - 77.ª Romagem ao Túmulo do Soldado Desconhecido e 95.º Aniversário da Batalha de La Lys - Na Batalha foi evocado a 77.ª Romagem ao Túmulo do Soldado Desconhecido e o 95.º Aniversário da Batalha de La Lys, num dia em que se assinala o 09 de Abril como o Dia Nacional do Combatente numa tradição que dura há décadas. Sob a presidência do CEMGFA e com a presença do Secretário de Estado Adjunto e da Defesa Nacional, Dr. Braga Lino e dos três Chefes de Estado-maior da Armada, Força Aérea e do Exército, dos presidentes das Câmaras Municipais da Batalha e Leiria, para além de numerosos oficiais generais, Diretores-gerais e Adidos de Defesa, bem como presidentes de Associações de Combatentes, presidente da Associação de Profissionais das Forças Armadas, Núcleos da Liga dos Combatentes e suas famílias.

As cerimónias iniciaram-se com uma missa no Mosteiro da Batalha presidida pelo Bispo das Forças Armadas e de Segurança, D. Januário Torgal Ferreira. O Mosteiro repleto de gente, engalanado com os Guiões da Liga dos Combatentes e Associações de Combatentes ouviu durante a eucaristia os cânticos alegóricos feitos pelo coro da Cruz Vermelha Portuguesa. Terminada a missa as Forças em parada, colocadas em frente ao Mosteiro prestaram Guarda de Honra ao General CEMGFA, acompanhado pelo SEADN e pelo Presidente da Liga dos Combatentes. Seguidamente o general Chito Rodrigues proferiu uma alocução alusiva ao ato.

As entidades seguiram depois para o Museu das Oferendas onde o CEMGFA deixou uma significativa mensagem no Livro de Ouro da Liga dos Combatentes, tendo-se seguidamente descoberto duas fotografias do capitão Santiago de Carvalho e do 1.º Tenente Oliveira e Carmo, que se mantiveram no Museu junto às suas condecorações, entre elas a Torre e Espada. Após cumprimentar todos os Guiões ao longo do claustro, o general CEMGFA e o SEADN, bem como todas as entidades dirigiram-se para a Sala do Capítulo, onde o CEMGFA, general Esteves Araújo, entidade convidada pelo presidente da Liga dos Combatentes para o efeito, efetuou a sua oração junto ao Túmulo do Soldado Desconhecido. Seguiu-se a deposição de coroas de flores e o Hino Nacional. As cerimónias decorreram com o apoio das Forças Armadas, que fez deslocar para a Batalha uma Força dos três Ramos das Forças Armadas para as Honras Militares e outro apoio logístico fundamental. As cerimónias terminaram com um almoço-convívio no Regimento de Artilharia de Leiria, onde confraternizaram cerca de 500 pessoas.

 

 

DISCURSO DO GENERAL JOAQUIM CHITO RODRIGUES, Presidente da Liga dos Combatentes

 

Exmo. Senhor General Chefe do Estado Maior General das Forças Armadas
Temos hoje a honra de ter Vª Ex.ª a presidir a esta significativa e histórica cerimónia e simultaneamente ser a entidade convidada para proferir a oração tradicional junto ao túmulo do soldado desconhecido.
Permita-me que agradeça a sua imediata disponibilidade para o efeito, bem como toda a compreensão e apoio que tem prestado à Liga dos Combatentes e combatentes em geral, enquanto CEMGFA.
Exmo. Senhor Secretário de Estado Adjunto e da Defesa Nacional, em representação de S. Exa. o MDN, agradeço a Vª Ex.ª estar mais uma vez neste dia com os combatentes.

Permita-me que assinalemos e nos regozijemos com a decisão recentemente tomada por Vª Ex.ª de manter os apoios idênticos ao ano transato às instituições sociais tuteladas pelo MDN.

Exmo. Senhor Presidente da CM da Batalha
Exmo. Senhor Almirante Chefe de Estado-Maior da Armada
Exmo. Senhor General Chefe de Estado-Maior da Força Aérea
Exmo. Senhor General Chefe de Estado-Maior do Exército
Exmo. Senhor Representante do General Comandante da GNR
Exmo. Senhor Representante do Diretor Nacional da PSP

O nosso profundo agradecimento pela vossa presença e pelos apoios prestados à Liga dos Combatentes e aos combatentes.

Exmo. Senhor Presidente da CM de Leiria
Exmos Senhores Generais e Almirantes e Diretores-Gerais
Senhor Bispo das Forças Armadas e de Segurança Exª Reverendíssima
Exmos Senhores Adidos de Defesa de Países Amigos
Exmo. Senhor Diretor do Mosteiro da Batalha

Exmos Senhores Presidentes de Associações de Combatentes, das Associações Profissionais das Forças Armadas, dos Núcleos da Liga dos Combatentes, da Souvenir Français e Royal British Legion

Exmas Entidades Civis, Militares e Religiosas
Ilustres Convidados
Caros Combatentes

Seja-me permitida hoje uma primeira palavra para sua Exª Reverendíssima o Bispo das Forças Armadas e das Forças de Segurança D. Januário Torgal Ferreira que hoje pela última vez nessas funções, nos acompanha nestas cerimónias evocativas. Fê-lo durante vinte anos na Batalha e noutras cerimónias, bem como no apoio direto aos combatentes e suas famílias em momentos difíceis. Aqui deixamos a homenagem pública dos combatentes no respeito e admiração pela sua personalidade, pelo seu carisma, frontalidade e liberdade de pensamento e ação.

Minhas senhoras e Meus Senhores

Evocamos hoje o 9 de Abril, o Dia Nacional do Combatente. Ao longo de décadas, Presidentes da Republica, Primeiros- Ministros, Ministros da Defesa Nacional, Secretários de Estado da Defesa Nacional e Generais Chefes de Estado Maior General das Forças Armadas, presidiram a esta cerimónia de caracter nacional, homenageando neste simbólico dia, essa simbólica e abrangente figura do Combatente. Igualmente, com mesmo simbolismo evocativo do Dia do Combatente, aqui se têm deslocado as mais distintas figuras do país para, na sala do capítulo, perante o túmulo do soldado desconhecido, proferirem a oração fundamental destas nossas cerimónias.

Convidámos no corrente ano e teremos hoje para proferir essa alocução, como já referi, o Exmo. General Esteves Araújo ilustre Chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas a quem agradecemos mais uma vez. Aqui vimos há dezenas e dezenas de anos por iniciativa da Liga dos Combatentes a que se juntaram novas Associações de Combatentes, nomeadamente após resolução conjunta em que foram acordados como dias a evocar pelos Combatentes, o dia 9 de Abril, o dia 10 de Junho e o dia 11 de Novembro.

É em representação da Liga dos Combatentes e dessas Associações de Combatentes que então se nos juntaram que aqui estamos mais uma vez celebrando o Dia do Combatente. Celebração que faremos de uma forma abrangente em dois patamares históricos e no segundo patamar sublinhando três momentos. No primeiro patamar histórico evoco o soldado português conhecido ou anónimo que do século XII ao século XIX se identifica com as palavras de Mouzinho de Albuquerque, também ele com um monumento em sua homenagem nesta praça, quando afirma que Portugal é obra de soldados. Com eles evoco todos os tempos difíceis por que passámos, os momentos em que ganhámos a independência ou restaurámos a independência perdida, como em Ourique, Aljubarrota ou 1 de dezembro 1640. Datas suficientemente avocadas pelas forças armadas e outras organizações nacionais. No segundo patamar histórico evoco o soldado contemporâneo do século XX e XXI em três tempos e circunstâncias:

- Os que se bateram na IGG em África e em França
- Os que se bateram na Guerra do Ultramar
- Os que se bateram e batem nas Operações de Paz e Humanitárias

Relativamente aos que se bateram na Grande Guerra e que para nós, também antigos combatentes, são exemplo e memória perene, sente a Liga dos Combatentes que tem sido e será sempre, da sua responsabilidade primária que essa memória se tenha conservado e se continue a conservar, a ponto de nos trazer aqui anualmente evocando o 9 de Abril. Data não de uma derrota dos portugueses, como por vezes é apresentada, mas de um sacrifício extremo, em circunstâncias extremas, que contribuiu para a vitória das forças aliadas alguns meses depois.

Então 110.000 homens de seis divisões completas, formando duas colunas do ataque, lançaram-se sobre uma incompleta e desfalcada Divisão Portuguesa com 21.061 homens. A desproporção era de cinco para um, bem superior ao três para um necessário para o sucesso de qualquer ofensiva, mas no dia seguinte, a fúria da resistência até ao limite das energias físicas ou ao consumo total das munições verificava-se em locais a partir de então históricos, como Red House, Fauquissart, Huit-Maisons, Richebourg e no lendário Lacouture. A rotura da frente, como em qualquer ofensiva bem planeada verificou-se mas o esforço português contribuiu decisivamente para a vitória aliada em Novembro de 1918. Aproximamo-nos do centenário dos acontecimentos e a Liga dos Combatentes celebrá-lo-á e dará todo o seu apoio às cerimónias que irão decorrer a nível nacional.

A grande guerra foi um fenómeno mundial e dramático que mudou o mundo e a única grande guerra da sua história, em que Portugal esteve envolvido, mas felizmente na defesa da liberdade e da democracia. Evocamos há décadas, com o reconhecimento público que atrás foi assinalado, bem como com o apoio explícito dos chefes de estado- maior das Forças Armadas, o 9 de Abril como dia do Combatente e continuaremos a fazê-lo como é tradição. Dia em que evocamos especialmente todos os Soldados Desconhecidos de Portugal. Bem merece pois o 9 de Abril, tradicionalmente reconhecido como o Dia do Combatente, ver esse reconhecimento nacional homologado pela Assembleia da República, precisamente quando, no corrente ano, se comemoram os 95 anos do fim da Grande Guerra e nos preparamos para a evocação do centenário do seu início.

O segundo tempo que atrás referenciei diz respeito ao nosso tempo. Ao tempo dos que se bateram na Guerra do Ultramar receberam o bastão dos que vindos da Grande Guerra se constituíram em Misericórdia dos combatentes e famílias mais débeis e carenciadas e, como aqueles, lutam em permanência pelo cultivo dos valores, da solidariedade e do apoio mútuo. Connosco o Humanismo e a solidariedade são como sempre foram, as nossas bandeiras e se como alguns afirmam “ a Europa morreu em Chipre” às mãos de capitalismo desenfreado, nós continuaremos vivos na manutenção de um ideal social e na procura dos meios financeiros capazes de sustentar o apoio a combatentes e famílias de deficientes ou carenciados.

Disse o Papa Francisco “ sem Cristo a Igreja transformar-se-ia numa ONG benfeitora”. Inspirando-nos nesse pensamento, diremos que sem o culto dos Valores e sem a prática da solidariedade a Liga dos Combatentes transformar-se-ia numa ONG sem benfeitores. Esses homens que aqui conseguem vir hoje e representam os milhares de outros que gostariam de aqui poder estar e não estão pelas mais diversas circunstâncias, nomeadamente as circunstâncias em que vivemos, bem merecem ser enaltecidos, respeitados e apoiados, pois para além de assumirem as responsabilidades inerentes a um dever cumprido, honram com a sua presença a memória dos que caíram e fortalecem os laços históricos a manter entre o passado o presente e o futuro. Presente e futuro. São estas duas gerações, destes dois tempos, que aqui estão hoje.

Mas permitam-me que sublinhe desde já a primeira. A que viveu o tempo e as consequências da II guerra mundial, com as restrições económico financeiras e de segurança nacional e europeia de então, aquela a quem mais tarde foi decidido e exigido politicamente que se batesse durante vinte anos em quatro frentes de conflito armado, de 1954 na India a 1974 em África, no maior teatro de operações e logístico de que há memória, num pequeno país europeu; geração que viria a ser decisiva no findar da guerra em África e na construção da democracia; que viveu e ultrapassou o chamado Processo Revolucionário em Curso e que hoje se vê confrontada novamente com outra verdadeira revolução dentro e fora das fronteiras e que não deveria ver criadas condições para se interrogar se valeram a pena ou não, os sacrifícios sucessivos que lhe foram solicitados, ao longo das suas vidas na defesa dos interesses superiores do país.

Hoje, que os três D´s (Desenvolvimento, Democracia e Descolonização) se transformaram em três D´s com outro dramático significado (Dívida, Desemprego e Deficit) importa apelar a todas as nossas forças morais para que sejam suficientemente fortes, como fator multiplicador das forças materiais e encontrem o caminho a percorrer, recuperando como objetivos nacionais os dois D´s do 25 de Abril, (Desenvolvimento e Democracia) e lhe juntem um novo D de Determinação, na Defesa do Portugal euro atlântico, como país soberano, independente e livre ao serviço dos portugueses.

Finalmente o terceiro momento do segundo patamar histórico que referenciei diz respeito aos milhares de portugueses que, em Forças Nacionais Destacadas, cumpriram e cumprem missões das Forças Armadas Portuguesas, do maior relevo para os interesses superiores do país. Fazem-no na prossecução de uma missão histórica ancestral.

O que foram senão Forças Nacionais Destacadas a epopeia dos descobrimentos no séc. XV e XVI?
O que foram senão Forças Nacionais Destacadas as que nos séc. XVII a XIX chegaram a Inglaterra, França, a Madrid e mesmo à Rússia?
O que foram senão Forças Nacionais Destacadas as que no séc. XX se bateram no centro da Europa e em África na IGG, e posteriormente na India e na Guerra do Ultramar?

Bateram-se tal como se bateram ou batem hoje no Kosovo, Iraque, Afeganistão ou Somália as Forças Nacionais Destacadas.

Assinalável constante histórica que faz parte não só do Conceito Estratégico de hoje, mas está na nossa própria razão de existir e é elemento da nossa própria idiossincrasia.

É dessa predestinação histórica que resulta o facto de nos sentirmos bem ao admitirmos que somos, como sempre fomos coprodutores de segurança nacional e internacional.

Assim tem sido a nossa longa história numa sinusoide de sucessos e de retrocessos. Quantas vezes Portugal renasceu das cinzas de cabeça erguida. Algumas vezes pareceu que à Pátria alguns a queriam ver vendida.

Simplesmente a Pátria, sempre que necessitou de ser dia a dia renascida, renasceu!

Ainda não houve português algum que tivesse morrido e morresse com a Pátria.

Termino pois com um poema exultando a esse permanente renascimento perante aqueles que ao longo da nossa história não acreditaram nela e mesmo sendo grandes acreditaram que morreriam, mas morreriam com ela.


PÁTRIA DIA A DIA RENASCIDA

Se a Pátria está à venda
Só há uma forma de o fazer
É vendê-la hora a hora
A cada criança que nascer

Sim Pátria! Só há uma forma de o fazer
Se te querem ver vendida
É ensinar-te dia a dia
A cada criança nascida

É ensinar-te dia a dia
Ao Exército assim formado
Para que lute por ti Pátria
Com pena, gládio e arado

E cada criança que nascer
Receberá de cada criança nascida
Uma Pátria dia a dia a renascer
Dos que a querem ver vendida.

Vivam os combatentes por Portugal
VIVA PORTUGAL!

 

 

ALOCUÇÃO DE SUA EXCELÊNCIA O GENERAL CEMGFA
POR OCASIÃO DO DIA DO COMBATENTE - 95.º ANIVERSÁRIO DA BATALHA DE LA LYS E 77.ª ROMAGEM AO TÚMULO DO SOLDADO DESCONHECIDO
(06 DE ABRIL DE 2013)

 

Senhor Presidente da Câmara Municipal da Batalha
Senhor Presidente da Câmara Municipal de Leiria
Senhor Secretário de Estado Adjunto e da Defesa Nacional
Senhor Almirante, Chefe do Estado-Maior da Armada
Senhor General, Chefe do Estado-Maior da Força Aérea
Senhor General, Chefe do Estado-Maior do Exército
Senhor Presidente da Direção Central da Liga dos Combatentes, meu General
Senhores Oficiais Generais
Senhores Diretores-Gerais
Senhores Adidos Militares
Senhor Comandante Distrital da Guarda Nacional Republicana
Senhor Comandante Distrital da Polícia de Segurança Pública
Minhas Ssenhoras e Senhores
Meus Camaradas de Armas

Começo por manifestar o meu profundo reconhecimento, enquanto militar e combatente, ao senhor Tenente-general Chito Rodrigues, Presidente da Direção Central da Liga dos Combatentes, por me ter concedido a honra de proferir uma alocução neste local de profundo significado para os combatentes de Portugal e neste dia de elevado simbolismo para todos nós portugueses.

Comemoramos, hoje e aqui, uma vez mais, o Dia do Combatente, evocamos o 95º aniversário da batalha de La Lys e realizamos a 77ª Romagem ao Túmulo do Soldado Desconhecido neste “chão sagrado” da Sala do Capítulo deste imponente mosteiro de Santa Maria da Vitória. Nesta múltipla efeméride de recordação e homenagem, saúdo as autoridades e entidades presentes que, desta forma, exprimem solidariedade e respeito pela instituição militar.

Endosso ainda o meu testemunho de profundo apreço aos meus camaradas de armas, aqui presentes que, como tantos outros que passaram pela instituição militar, têm, ao longo dos anos, com notável dignidade, exemplar patriotismo e elevado sentido de missão, contribuído para que continuemos a afirmar Portugal. Ao assinalarmos o Dia do Combatente, junto ao Túmulo do Soldado Desconhecido e evocando a batalha de La Lys, é meu dever trazer à memória coletiva e recordar com saudade, todos os que sacrificaram a vida ao serviço da pátria, bem como aqueles que, no cumprimento escrupuloso do dever, foram feridos, ficaram incapacitados ou foram feitos prisioneiros, dando um exemplo patriótico de dignidade e de disponibilidade para bem servir, atitude que honra o nosso percurso histórico e que nos impele a continuar a servir Portugal com igual abnegação.

Que dia e local melhor do que este, para, como Chefe do Estado-Maior-General das Forças Armadas, me curvar perante a força moral, a coragem e o sacrifício do numeroso contingente de combatentes que deram tudo, muitos a própria vida, pela nossa pátria?

Mas se hoje, se impõe sublinhar que a participação de Portugal na batalha de La Lys, marca a entrada do nosso país nos conflitos do século XX e, como tal, deve constituir uma referência, importa também e sobretudo, relevar que é em circunstâncias fortemente adversas, como as que se verificaram no início do passado século e as que vivemos hoje, que deve ser potenciada uma cultura fundamentada nos princípios, valores e referências identitárias que fortaleçam e aprofundem a coesão nacional, o sentimento coletivo de autoestima e a inabalável vontade de querermos continuar a ser portugueses. É neste contexto, e para que o sacrifício de tantos não tenha sido em vão, que os valores da instituição militar, enquanto instituição de caráter nacional, estruturante da nossa identidade histórica e da coesão nacional, devem continuar a ser preservados e respeitados.

As Forças Armadas não escolhem as missões que lhes são atribuídas pelo poder político legítimo, pelo que a defesa e a salvaguarda da especificidade dos valores subjacentes à condição militar, a coesão, a disciplina, o espírito de sacrifício, o sentido de missão, o sentimento de pertença à comunidade, a estabilidade e um código de conduta muito específico, constituem condições essenciais para o cumprimento das missões ao serviço dos superiores interesses nacionais, não podendo, em circunstância alguma ser postos em causa.

É deste modo, que no quadro de missões hoje atribuídas, graças a uma atuação rigorosa e empenhada, mas também à entrega, profissionalismo e espírito de missão das forças nacionais destacadas, nos exigentes teatros de operações do Afeganistão, do Kosovo e do Líbano, na Bósnia-Herzegovina, no Congo, na Somália, no Mediterrâneo, no Índico, nos países bálticos, na Islândia e em Timor-Leste, mas também nos quartéis-generais internacionais, nas nações unidas, na Otan, na União Europeia e nas Euroforças ou nas participações nas “Nato Response Forces” da Nato e nos “Battlegroup” da União Europeia e, ainda, no âmbito da cooperação militar nos países africanos de língua oficial portuguesa, os nossos militares continuam a bem servir e a glorificar o bom nome de Portugal.

Em qualquer destes cantos do globo, por mar, por terra ou por ar, as forças armadas continuam a gerar segurança e a contribuir, ativamente, para a paz e para a estabilidade internacional, cumprindo e honrando os compromissos assumidos pelo nosso país, regendo-se por preceitos de honra, de dignidade, de patriotismo, de ética e de lealdade, mas também, de disciplina, de coragem, de competência e de altruísmo, garantindo, assim, a continuação da afirmação de Portugal no mundo. Inquestionavelmente, nesta já longa e diferenciada caminhada, os militares portugueses tornaram-se mais capazes, mais esclarecidos, e por isso, mais conhecedores do mundo em que vivemos, transformando as forças armadas, numa das organizações nacionais mais experimentadas, no domínio da cooperação internacional, porque, conseguindo respeitar os padrões culturais de cada um, aprofundam afetos com povos de todas as etnias, línguas e crenças.

Mas cumpre-me, igualmente, destacar a relevância da ação dos militares portugueses em todo o território nacional, vigiando e controlando, dia e noite, os espaços de soberania, executando ações de busca e salvamento e evacuações aeromédicas, participando na satisfação das necessidades básicas e na melhoria da qualidade de vida das populações e colaborando com a proteção civil, com particular evidência e urgência, nos Açores e na Madeira. As Forças Armadas estão ligadas à fundação de Portugal e a todo o seu percurso como nação independente e soberana, estão devidamente inseridas na sociedade democrática e, são reconhecidas como garante da estabilidade e fator de modernização da nossa sociedade mas, sobretudo, têm prestado ao país, valiosos e relevantes serviços, fortalecendo a ligação à sociedade em que se inserem e à qual têm o dever e a honra de servir. Por tudo o que disse, devo reconhecer que a herança institucional é enorme e é uma responsabilidade de todos, mas os cidadãos em uniforme, homens e mulheres que hoje integram as forças armadas têm essa consciência, tendo-se voluntariado, por isso, para servir a pátria, garantindo-lhe de modo contínuo paz e segurança, relevância e prestígio internacional.

Ao serviço de Portugal, os militares portugueses, com a energia que alimenta o esforço do dia-a-dia e os motiva “a fazer mais e melhor” na procura constante, de serem sempre mais úteis ao bem comum, têm-se assumido na defesa dos superiores interesses nacionais, orgulhando-se de, continuamente, fazer bem para servir bem, persistindo em afirmar: “estamos prontos…onde e quando necessário” por Portugal. Esta é a nossa “grande missão” que temos de cumprir com saber, realismo, equilíbrio, prudência e bom senso, evitando afloramentos reformistas de natureza conjuntural.

Minhas senhoras e senhores
Militares

Reunimo-nos hoje aqui para evocar o combatente português, a batalha de La Lys e o soldado desconhecido, ato que para nós, militares, é normal, apesar de não dispensar nem evitar emoções e sentimentos. Contudo, é meu entendimento que, cada vez mais, é necessário acentuar a importância que este tipo de cerimónias tem, na afirmação de uma nação, de um povo e da sua cultura. É através da realização de cerimónias de indiscutível importância, como esta, que interiorizamos a nossa história, que somos mais capazes de interpretar acontecimentos, permitindo-nos redescobrir, explorar e projetar novos sentidos, novos propósitos que possam produzir perspetivas e atitudes, que sejam relevantes na nossa formação e atuação todos os dias. Importa, por isso, continuarmos a desenvolver esforços para que os acontecimentos da vida militar se afirmem com a mesma riqueza e vigor, com que este se afirmou, possibilitando assim, a todos, sem exceção, dar o seu contributo para a afirmação de Portugal.

Termino esta intervenção, junto ao túmulo do soldado desconhecido, expressando, solenemente, o meu profundo reconhecimento pelos relevantes e prestigiantes serviços prestados pelos oficiais, sargentos, praças e funcionários civis que, em nome dos superiores interesses de Portugal, ao longo destes anos, têm servido Portugal nas forças armadas, com exemplar profissionalismo e notável abnegação, numa atitude que honra o nosso percurso histórico enquanto instituição e nos engrandece como nação. Todos têm contribuído, indubitavelmente, para a afirmação da nossa soberania, da nossa independência e da nossa identidade, dentro e fora das nossas fronteiras. Ao serviço de Portugal e dos portugueses, têm-se assumido na defesa dos superiores interesses nacionais, dando um exemplo patriótico de disponibilidade para bem servir o bem comum e, por isso, merecem ser reconhecidos e devem ser respeitados.

Exorto todos os militares e funcionários civis das forças armadas, para que continuem a servir com dedicação, profissionalismo e espirito de missão as tarefas que nos são confiadas, honrando o bom nome de Portugal, como tem sido apanágio da nossa instituição.

Aos camaradas presentes, muitos de vós, antigos combatentes, vindos das mais diversas partes do país, que lutaram nos diversos teatros de guerra para onde foram projetados e que aqui se reúnem para prestarem homenagem aos que morreram em nome de Portugal, dirijo uma saudação muito especial, expressando a minha gratidão pela vossa participação nesta cerimónia. Foi com homens como vós, com honra e com dignidade, com sacrifício com coragem e com valentia, que se fez e se continuou Portugal! E por isso, por vós, pelos que hoje celebramos e por todos os portugueses que servem nas forças armadas, que hoje e aqui, quero reiterar o compromisso solene que a todos nos une intemporalmente: as Forças Armadas continuarão a servir a nação, assegurando a paz e a segurança dos portugueses e a glorificar Portugal.

Este é o nosso desígnio. Este é o tributo da nossa geração aos que tombaram, ao longo dos séculos, nos campos de batalha ao serviço da nossa pátria.



O Chefe do Estado-Maior-General das Forças Armadas

Luís Evangelista Esteves de Araújo
General