86.º Aniversário do Dia da Liga dos Combatentes, 91º Aniversário do Armistício da I Grande Guerra e 35º Aniversário do Fim da Guerra do Ultramar


As previsões meteorológicas apontavam para um dia de muita chuva em todo o território. A natureza permitiu que junto ao Forte do Bom Sucesso, no Monumento aos Combatentes do Ultramar, onde na tarde de 14 de Novembro se iriam desenrolar cerimónias promovidas pela Liga dos Combatentes, a tarde desse dia fosse cinzenta, serena, sem vento, mas em que os deuses guardaram as lágrimas que deveriam cair do céu, para as colocar nalguns rostos, durante a cerimónia que iria decorrer. Comemoraram-se e evocaram-se em cerimónia com excelente organização, de rara beleza, austeridade, dignidade e emotividade três efemérides, que em termos militares, marcaram a sociedade portuguesa no sec XX.

O tradicional dia do Armistício, dia 11 de Novembro, celebrado em todos os Núcleos espalhados pelo país com cerimónias, normalmente junto aos Monumentos evocativos do acontecimento, nomeadamente em Lisboa na Avenida da Liberdade, teve a sua Cerimónia principal no Dia 14 de Novembro, em Belém. Também nesse dia se comemorou o Dia da Liga dos Combatentes nascida em consequência daquele conflito a 16 de Outubro de 1923. Finalmente pela primeira vez, de forma oficial e formal se evocou o Aniversário fim da Guerra do Ultramar. A Liga dos Combatentes convidou o Senhor Ministro da Defesa Nacional, Prof Dr Augusto Santos Silva para presidir à cerimónia. Presentes também o Senhor Secretário de Estado e dos Assuntos do Mar. Foi convidado para proferir a tradicional intervenção o Senhor General Valença Pinto CEMGFA. Presentes o Almirante CEMA. General CEME, General CEMFA e General Chefe da Casa Militar do PR, além de Embaixadores e Adidos de Defesa de Países Amigos, Almirantes, Generais e Directores - Gerais, Presidente da Souvenir Français e da Amilcalle des Militares Français au Portugal, Presidente da Royal British Ligeon, Presidentes das Associações de Combatentes, Membros dos Corpos sociais da Liga dos Combatentes e a maior parte dos Núcleos espalhados pelo país.

O MDN foi recebido pelo Presidente da DC tendo á chegada recebido as honras militares de uma força composta por uma Companhia a três pelotões, um de cada ramo, com o estandarte e o guião da Liga dos Combatentes incorporados. Seguiu-se a incorporação da Estandarte Nacional na formatura, com toque do Hino Nacional cantado por todos os presentes. Discursaram depois O Presidente da Liga dos Combatentes, o Gen CEMGFA e o Ministro da Defesa Nacional em intervenções importantes e de profundo significado. Sublinhe-se a intervenção do senhor Ministro da Defesa pelo conteúdo, clareza, definição de caminhos a prosseguir e reconhecimento dos caminhos percorridos em especial no século XX, quer no que se refere aos Combatentes quer às Forças Armadas. Seguidamente procedeu-se á condecoração a título póstumo do Major General Camilo, que faleceu no desempenho das funções de Vice-Presidente da Liga, com a Grã-Cruz de Mérito militar que lhe foi atribuída por Sua Exa o Presidente da Republica por proposta do Presidente da Liga dos Combatentes. Entregou a condecoração à viúva o Sr Ministro da Defesa. O reconhecimento pelos serviços prestados ao serviço da Liga foi depois salientado pela entrega de Medalhas de Mérito da Liga aos Presidentes dos Núcleos de Penafiel, Chaves, ao Secretário do Núcleo de Loulé a título póstuma ao Presidente de Leiria, ao Vogal da Direcção Central Comandante Belém Ribeiro e à Drª Eugénia Cunha colaboradora da Liga no Programa Conservação das Memórias.

Seguiu-se a evocação do Armistício e o descerramento de uma placa com 53 nomes de militares comandos mortos na Guiné. O Presidente da Liga convidou o Senhor Ministro a acompanhá-lo no descerramento da Bandeira Nacional que cobria aquela placa e pediu ao Presidente da Associação de Comandos para os acompanhar nesse acto. Saindo da porta principal do Forte surgiram então seis militares em passo cadenciado segurando três urnas contendo os restos mortais de três militares caídos na Guiné, em Guidaje, exumados durante a primeira operação do Programa Conservação das Memórias. Dirigiram-se para o centro do Monumento e aí colocaram as três urnas em posição central para receberam as homenagens, integrados na cerimónia de homenagem aos mortos em combate. O senhor Bispo das Forças Armadas e de Segurança D Januário Torgal Ferreira proferiu depois uma oração alusiva ao significativo e emotivo momento. Muitas vezes os combatentes ali se haviam já deslocado em cerimónias idênticas de homenagem aos caídos. Hoje para além de terem sido incorporados mais 53 militares naquelas paredes, estavam presentes as ossadas de três camaradas que a guerra derrubou.

Três dezenas de coroas de flores foram depois colocadas pelas Associações e Altas Entidades presentes tendo a ultima sido colocada pelo Senhor Ministro da Defesa Nacional que, acompanhado do Presidente da Liga ouviu, imediatamente atrás das urnas, os toques aos mortos e o toque de alvorada. Seguiu-se a retirada dos corpos dos três militares. A cerimónia encerrou-se com o Hino da Liga, aprovado em Assembleia Geral de 2008 e que sintetiza o sentir dos combatentes por Portugal e os incita a defender e continuar a sua História. Após o desfile das Forças em Parada todos os presentes se dirigiram para o Forte do Bom Sucesso, onde, com o Ministro da Defesa Nacional visitaram as exposições: - O Combatente Português do Século XX, Os cem anos da Aviação Portuguesa, A Arte e os Militares e Os Piratas-Ladrões do Mar. A noite caía já sobre a Fortaleza do século XVII. As nuvens ameaçadoras respeitaram a vontade dos Combatentes em terem uma cerimónia memorável. O Forte iluminou-se e no exterior a iluminação própria e a chama do Monumento davam-lhe mais uma vez a luz que ele merece e tem, durante 24 horas do dia. A todos os que pensaram, apoiaram e trabalharam para que mais um dia destes acontecesse, o Presidente da Liga dos Combatentes agradece.

 

Discurso do Presidente da LC, Tenente-general Chito Rodrigues


Exmo Senhor Ministro da Defesa Nacional
Prof Dr. Augusto Santos Silva

Excelência, tTestemunho a Vª Exª o apreço e reconhecimento da Liga dos Combatentes e das Associações de Combatentes aqui presentes, por ter decidido aceitar o convite para presidir a esta cerimónia, poucos dias após ter tomado posse como Ministro da Defesa Nacional. Os primeiros actos marcam pessoas e Instituições. Os nossos sinceros desejos das maiores felicidades no desempenho do alto cargo que assumiu e os nossos agradecimentos por ter decidido partilhar connosco sentimentos comuns.

Exmo Senhor General Valença Pinto

Os meus sinceros agradecimentos por, como distinto sócio da Liga dos Combatentes e Membro Honorário do seu Conselho Supremo, ter aceite fazer a oração tradicional neste dia em que se evocam valores supremos, juntando-se assim a ilustres oradores de anos anteriores. Representa Vª. Exª todos aqueles que são (o presente) o futuro da nossa Instituição

Exmo Senhor Secretário de Estado da Defesa Nacional e dos Assuntos do Mar, Dr. Marcos Perestrelo

A presença de V. Exa. neste simbólico dia para a Liga dos Combatentes e combatentes em geral, é para nós uma Honra. Desejamos a V. Exa. as maiores felicidades no desempenho de tão importantes funções.

Exmo Senhor Almirante Chefe de Estado Maior da Armada
Exmo Senhor General Chefe de Estado Maior do Exército
Exmo Senhor General Chefe de Estado Maior da Força Aérea
Exmo Senhor Chefe da Casa Militar de Sua Exª o Presidente da República
Agradeço sensibilizado a vossa presença e todo o apoio que vêm dando à Liga dos Combatentes.

Senhor Bispo das Forças Armadas e das Forças de Segurança D. Januário Torgal Ferreira
Exª Reverendíssima, a disponibilidade permanente que tem demonstrado para estar com os combatentes nos dias mais significativos, sobretudo quando se evoca a Paz entre os Homens, é um atributo que lhe reconhecemos e que mais uma vez temos o prazer de partilhar e de lhe agradecer.

Exmos Senhores Embaixadores e representantes dos Senhores Embaixadores
Exmos Almirantes, Generais e Directores-Gerais
Senhor representante do Governador Civil de Lisboa
Senhor Presidente da Junta de Freguesia de Belém
Senhores Adidos de Defesa e Militares de Países Amigos
Senhor Presidente do Souvenir Français e da Amicalle des Militaires Français au Portugal
Senhor Presidente da Royal British Legion
Senhor Presidente da Mesa da Assembleia Geral
Senhor Presidente e Membros do Conselho Supremo e dos Corpos Sociais da LC
Senhores Presidentes de Associações de Combatentes e presidentes dos Núcleos da Liga dos Combatentes

Membros da Liga dos Combatentes, Caros Combatentes. Minhas Senhoras e Meus Senhores


Neste lugar cada vez mais Altar Pátrio, cada vez mais lugar de encontro da História de Portugal com o Mundo, onde o Homem tem vindo a cruzar símbolos do início do Império com símbolos do fim desse mesmo Império, encontramo-nos mais uma vez, hoje, para evocar o 91º Aniversário do Armistício da I GG, o 86º Aniversário da primeira acta criadora da Liga dos Combatentes e o 35º Aniversário do fim da Guerra do Ultramar. Com esta cerimónia encerramos as cerimónias iniciadas em todo o País no dia 11 de Novembro. Evocamos pois, por um lado, o passado histórico e os Valores da Paz que ajudámos a construir em 1918 e em 1974. Por outro lado, sublinhamos os Valores da Solidariedade e Apoio Mútuo, um dos pilares da criação e da sustentação da nossa identidade colectiva, na procura do reconhecimento da dignidade do combatente. Duas Grandes Batalhas, que têm motivado os que hoje servem e os que serviram ao longo da sua História a Liga dos Combatentes: A Batalha pelos Valores e a Batalha pela Solidariedade. Batalhas com muitos e diferenciados combates nas mais diversas frentes, prolongados no tempo e no espaço e que nos impõe perseverança, determinação e disponibilidade permanente na luta pela resolução dos problemas dos que servem ou serviram as Forças Armadas.

Poucos saberão, melhor do que nós, combatentes, reconhecerem quem nos reconhece e distinguirem estes sentimentos cruzados, de realidades como a Paz e a Guerra, a solidariedade e o abandono, o reconhecimento e a falta dele a alegria e a tristeza. a coragem e a cobardia, a lealdade ou a traição. Mais uma vez cruzamos hoje, a alegria de aniversários de Nascimento e Paz, mas também de Tristeza e Morte na Guerra. E é nestes dias, nestes momentos, que se cruzam em nosso pensamento os mais altos Valores que enriquecem o Homem e aqueles que o empobrecem. Os que hoje vivos podem testemunhar os sacrifícios da aplicação da violência, tenha sido na guerra de guerrilhas em África, seja na guerra de guerrilhas que hoje enfrentam na Europa e na Ásia ou noutras que se lhe sucederem, sabem que houve e haverá sempre um único Grande Herói: - o Povo português. Bastará recordarmo-nos que na Índia e em África de 1954 a 1974, esteve mais de um milhão de soldados portugueses. Todos eles tinham Pai. Todos tinham Mãe. Avós maternos e paternos. Alguns casados e com filhos. Tal significa que, desse povo, pelo menos 7 milhões de portugueses sentiram no seu íntimo poder vir a perder na guerra, um seu ente querido. É esse povo, que coloca os seus filhos á disposição das decisões do poder político, quantas vezes discutíveis, que devemos venerar como o verdadeiro Grande Herói na nossa existência, enquanto país soberano, independente e cosmopolita. É pois com natural regozijo que sentimos juntarem-se a nós, altos responsáveis políticos e militares, bem como muitos combatentes e famílias e população em geral, quando evocamos os maiores desse povo, numa convergência de sentimentos que reforçam o conceito de que a “ defesa nacional somos todos nós”. Demonstração, plena de compreensão da importância da nossa missão, Liga dos Combatentes, enquanto Contribuintes e impulsionadores activos na promoção da História, da cultura cidadania e defesa, dos símbolos nacionais, da conservação das memórias, do apoio médico psicológico e social aos mais carenciados, enfim enquanto garante da honra dos que caíram e da dignidade dos que sobreviveram.

Não estamos sós, na Europa. Nem somos impulsionadores de algo que é passado. Estamos aqui hoje, com o mesmo sentimento do presente que levou o Presidente Sarkosy e Angel Merckel a reunirem-se no dia 11 no Arco do Triunfo e a Raínha Isabel II nas cerimónias de Londres: - O sentimento da reconciliação, da partilha de memória, o reconhecimento dos erros que conduzem à guerra e seus horrores. Estamos pois partilhando os mesmos valores e a mesma ambição para Portugal e para Europa: - Prosperidade e Paz. Há precisamente um ano que neste lugar vos sintetizei o que temos vindo a fazer para o aprofundamento dos objectivos que o nosso estatuto nos impõe. As acções que continuámos a desenvolver são todas elas resultantes duma Atitude que definimos para nós e para quem connosco trabalha. Tal Atitude pode resumir em três grandes ideias: - Abertura, Inovação e Entusiasmo para a Mudança. Abertura que no corrente ano se materializou na realização de mais parcerias e protocolos em que destacamos os realizados com o Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra, a Misericórdia do Porto, a Associação da Luta de Libertação Nacional de Moçambique, com a Associação dos Combatentes do Estado Português de Angola, com a Fundação dos Veteranos da Luta de Libertação de Timor, com o Núcleo da Liga dos Combatentes, em São Vicente, Mindelo, Cabo Verde, bem como com acções com a Revista Segurança e Defesa. Abertura que se viu enriquecida com participação conjunta de todas as Associações que se batem pela dignidade dos que serviram e servem as Forças Armadas, num Congresso dos Combatentes e que deram uma demonstração de unidade de propósitos no que diz respeito à cidadania e defesa, ao apoio social e ao apoio à saúde.

Abertura que nos permite integrarmo-nos perfeitamente naquilo que o senhor Ministro da Defesa Nacional chama o “Novo Paradigma da Defesa Nacional e das Forças Armadas” e nos permitirá aprofundar a Passagem de Testemunho aos Novos Combatentes já iniciada, na garantia da perenidade e modernidade da nossa Instituição. Abertura que nos vem garantindo uma nova imagem que se deseja sempre renovada e que tem facilitado a outra grande vertente da nossa atitude: - A inovação. Estamos a implementar um plano de comunicações e informatização de todos os Núcleos, bem como desenvolvemos um outro plano que conduz à digitalização do Arquivo Histórico da Liga (se para tal conseguirmos as verbas necessárias); Acabamos de instalar na sede da Liga dos Combatentes o primeiro Painel Fotovoltaico que nos transforma num produtor de energia e um contribuinte activo para o bom ambiente, com as respectivas contrapartidas financeiras; Estamos com alguns combatentes e a grande maioria dos funcionários, empenhados na utilização dos Programas Novas Oportunidades tendo como objectivo proporcionar a todos o 12º ano, contribuindo assim activamente nos programas da educação para a cidadania. Apoiamos diversas teses de mestrado e doutoramento coordenando diversas acções com os nossos combatentes, ao mesmo tempo que desenvolvemos acções de formação em vários campos e da investigação no âmbito da saúde, em coordenação com a Universidade Nova de Lisboa e a Universidade de Coimbra.

Este estado de espírito de abertura e inovação tem-nos garantido o entusiasmo permanente para a acção e para a mudança. Mudança sem rotura que se materializa na procura da modernidade e no aprofundamento permanente de mais solidariedade, mais apoio mútuo, mais dignidade, mais reconhecimento dos que serviram as Forças Armadas e Forças de Segurança, no respeito dos valores expressos pela UNESCO e dos Direitos do Homem. Talvez por compreenderem essa postura da Liga dos Combatentes, tenhamos voltado no corrente ano a aumentar o número de núcleos e o número de sócios e a ver levantarem-se mais e mais monumentos em honra e memória dos combatentes por Portugal. No âmbito do Programa Estruturante Liga Solidária desenvolvemos no corrente ano a primeira fase das obras do Lar dos Combatentes e da Creche do Porto que esperamos inaugurar no primeiro trimestre de 2010 em apoio de combatentes idosos e dos seus netos. Aguardamos decisão do Ministério da Segurança Social quanto aos Lares de Estremoz e Vila de Rei e a cedência de instalações em Castelo Branco já solicitadas ao MDN. No que diz respeito ao Programa Conservação das Memórias, sublinho o apoio dado pelo EMGFA e recebido no terreno através dos Adidos de Defesa e Militares, bem como dos militares em tarefas no âmbito da DGPDN. Assinalo a terceira operação realizada na Guiné, em Gabu, para concentração de ossadas na cidade de Bissau a que se seguirá a Operação Guiné Sul, a partir de amanhã, com a qual se espera materializar o objectivo principal: Fazer do Cemitério de Bissau o cemitério digno, onde se encontram concentrados os militares que saídos de Portugal ali se bateram. Hoje homenagearemos três militares, caídos na Guiné, recuperados, no âmbito deste Programa, em Guidaje e só agora identificados com o apoio do Instituto de Medicina Legal de Coimbra.

Com estes três militares ascende a oito o número de militares de que as famílias solicitaram o regresso da Guiné. Homenageamos também combatentes caídos por terem servido as FA portuguesas na Guiné, descerrando uma placa com 53 nomes de militares Comandos. Do Plano Estruturante Cultura Cidadania e Defesa assinalo no corrente ano as obras de recuperação deste Monumento aos Combatentes do Ultramar e a continuação da recuperação e manutenção do Forte do Bom Sucesso, para além de inúmeras acções no âmbito da Cultura Cidadania e Defesa de que destaco os Prémios Defesa Nacional/Liga dos Combatentes entregues a alunos dos Estabelecimentos Militares de Ensino, as conferências “ Fim do Império”, as exposições e publicações levadas a efeito. De extraordinário relevo no âmbito da inovação e modernização é o levantamento do Programa Estratégico Estruturante Cuidados de Saúde que este ano nos permitiu o apoio aos nossos membros mais necessitados nos campos da doença, nomeadamente da doença mental, bem como da inclusão social. Foi criado e dotado em pessoal, material e instalações, o Centro de Estudos de Apoio Médico Psicológico e Social e montados Cinco Centros de Apoio Médico Psicológicos e Social em Lisboa, Coimbra, Porto, Chaves e Loulé, com o apoio de médicos, psicólogos e assistentes sociais, alguns em regime de apoio voluntário à Liga dos Combatentes. Com este serviço e seu desenvolvimento queremos vir a garantir os serviços de qualidade a que nos comprometemos com o Ministério de Defesa Nacional em protocolo próprio. Todos estes planos estruturantes têm tido o apoio do Ministério da Defesa Nacional. Sem esse apoio que aliás os Estatutos estabelecem, não teriam sido possíveis os resultados alcançados no apoio aos combatentes. Não quero terminar sem fazer uma referência especial a todas as Direcções dos 80 Núcleos e membros dos Corpos Sociais da Liga, num total de mais de quatrocentos dirigentes voluntários que enquadram e dirigem uma Instituição quase secular, com dezenas e dezenas de milhar de sócios e dizer-lhes que sendo uma honra estar com eles, à sua frente, tenho um sentimento profundo de que muito tem sido feito e que por isso considero que a nossa Liga dos Combatentes estando cada vez mais forte, o que significa cada vez mais útil, pode gritar a plenos pulmões o seu grito;

 

Liga dos Combatentes
Valores Permanentes!
Liga dos Combatentes
Em Todas as Frentes

TGen Joaquim Chito Rodrigues

 

Discurso do Chefe do Estado-maior General das Forças Armadas, General Luís Valença Pinto

 

Senhor Ministro da Defesa Nacional
Senhor Secretário de Estado da Defesa Nacional e dos Assuntos do Mar
Senhores Chefes de Estado-maior dos Ramos
Senhor Presidente da Liga dos Combatentes
Senhores Generais e Almirantes

Minhas Senhoras e meus Senhores
Caros Camaradas

É a ideia de Portugal o que verdadeiramente hoje aqui se celebra e cultiva. De facto a noção de combatente só tem sentido e alcance na relação com a pátria e a comunidade nacional. Ser combatente é, em síntese, uma atitude suprema de cidadania. Tanto quanto o respeito por aquilo que os combatentes simbolizam é um valor e um atributo de cidadania. Porque a cidadania a ninguém dispensa e a todos apela e obriga, são naturalmente múltiplas as formas de ser seu construtor. Daí que haja legitimamente modos diversos de se ser combatente. São também frentes dessa empresa as acções política, cívica, cultural ou económica, entre outras. Numa nação que se forjou, acima de tudo, pela vontade dos seus é responsabilidade das sucessivas gerações ter presente que Portugal é obra dos portugueses. E que nesse empenhado e vitorioso esforço colectivo os militares tiveram um papel de manifesto relevo. Destacar os combatentes militares é assim inteiramente justo. Lembrar os que fundaram a nação em ourique e na conquista de lisboa, os que firmaram a independência em aljubarrota e os que a reafirmaram em montes claros. Os que resistiram e expulsaram invasores. Os que agiram em nome da soberania e dos interesses dos portugueses. Ao longo da história as pessoas foram mudando mas, na identidade de propósitos e na convergência dos fins, encontramos uma unidade que transcende os tempos.

De um modo claro, a acção dos combatentes militares inscreve-se sempre nos mais altos valores, princípios e critérios. Só neles é possível fundar o impulso máximo de sublimação e de generosidade que leva à aceitação fácil da entrega da vida própria. Os combatentes militares não têm nisso reserva ou hesitação. É aqui que radica a condição militar. Uma condição que, não pretendendo ser primeira, é absolutamente específica e singular entre todas as condições. Ser combatente militar é por isso uma forma absoluta de paradigma de serviço. Um serviço que não define servidão. Pelo contrário, um serviço que gera pertença livre. E que sendo autêntico e plenamente verdadeiro implica, ou melhor exige, ser regido por desapego pessoal. Esta é a perspectiva que torna identicamente inaceitáveis a busca de injustificados privilégios, e qualquer omissão dos poderes públicos perante a necessidade de, com adequação e oportunidade, reconhecer, respeitar e cuidar. São aliás duas perversões que mutuamente se alimentam, o que redobra a sua inaceitabilidade. Mas se na sua tradução histórica o conceito de combatente tem, como é natural, dependido dos contextos em que se concretiza, na sua essência ele é temporalmente coincidente com a ideia passada, presente e futura de nação. Realmente o que mais define a noção de combatente são os aspectos intemporais que lhe são intrínsecos. Acima de todos o patriotismo e os valores e princípios nacionais.

São dados a que é imprescindível atender de forma permanente e renovada, em particular num contexto de forças armadas inteiramente profissionais. Assim tem acontecido em portugal. Assim é preciso que continue a acontecer. É também um valor nacional permanente que o ser português se tenha aberto ao mundo, protagonizando a sua unificação geográfica e promovendo tantos encontros e trocas civilizacionais. Ficou-nos daí um traço genético que distingue e obriga os combatentes militares portugueses, dando-lhes uma capacidade excepcional de aculturação, de respeito pelos outros, de actuação holística e de isenção perante facções em conflito. São características absolutamente decisivas para actuar nos modernos conflitos, e que como tal integram os alicerces do reconhecido sucesso nacional nesses cenários. Foi na enriquecedora combinação assente por um lado na identidade dos valores e dos princípios superiores nas diferentes circunstâncias e por outro lado na diversidade das expressões históricas, que se construiu o traço comum que aqui se celebra. Foram combatentes de portugal os que integraram o ciclo das navegações até à dobragem do cabo da boa esperança e os que, depois disso e até à modernidade, em múltiplos continentes, nas armas, na diplomacia, na acção política, na ciência, na cultura e na economia, viveram o ciclo do império que se lhe seguiu. De modo particular e com forte camaradagem militar evoco aqueles que ao serviço do país nas recentes guerras em áfrica contraíram deficiências.

Foram também combatentes de portugal os que protegeram e afirmaram o país na europa, sob o novo regime republicano, órfãos de rectaguarda política e militar, numa guerra difícil de entender, cujo principal acto lúcido foi o armistício que também hoje comemoramos. Foram e são combatentes de portugal os mais de trinta e seis mil mulheres e homens que nos últimos dezoito anos, em vinte teatros de operações, em quatro continentes, por terra, mar e ar, serviram e afirmaram o interesse nacional, levaram mais paz, mais lei, mais segurança, mais estabilidade e mais progresso a esses países e a esses povos, honraram a responsabilidade nacional na ordem global, tornaram portugal num produtor de segurança e dessa forma reforçaram de modo ímpar a soberania portuguesa. Saúdo a Liga dos Combatentes que, personificando o espírito dos combatentes militares, a todos sem excepção representa e a quem por isso cabe uma função insubstituível de aglutinação e de interface entre o estado e as pessoas. Uma função que, no absoluto respeito por outras expressões resultantes da dinâmica da sociedade civil e a elas atendendo criteriosamente, carece de ser plenamente inclusiva e assim reconhecida e praticada. Em meu nome, mas convicto de expressar o sentir das forças armadas portuguesas, recordo os muitos e muitos que nos antecederam nas fileiras e que nos legaram identidade, compromisso e um profundo sentido de honra. E curvo-me muito respeitosamente perante a memória de todos aqueles que, com o seu derradeiro sacrifício, contribuíram decisivamente para construir em portugal e no mundo um lugar melhor.

Estado-maior General das Forças Armadas, 14 de novembro de 2009

O Chefe do Estado-maior General das Forças Armadas
Luís Valença Pinto
General