92. ° ANIVERSÁRIO DO ARMISTÍCIO, 87. ° ANIVERSÁRIO DA LIGA DOS COMBATENTES E 36. ° ANIVERSÁRIO DO FIM DA GUERRA DO ULTRAMAR

13NOV2010 - Presidida pelo Exmo. Senhor Ministro da Defesa Nacional decorreram no passado dia 13 de Novembro, no Forte do Bom Sucesso, junto ao Monumento dos Combatentes do Ultramar as cerimónias comemorativas do 92. ° Aniversário do Armistício, do 36. ° Aniversário do fim da guerra do Ultramar e do 87. ° Aniversário da fundação da Liga dos Combatentes. Evocação de dois momentos de paz e do aniversário da instituição que nasceu para colmatar problemas resultantes dos dois momentos de guerra. Foi assim que iniciou a sua intervenção o Presidente da Liga dos Combatentes Gen Chito Rodrigues, perante diversas individualidades onde se viam o Gen Chefe de Estado Maior da Força Aérea e os representantes do Gen CEMGFA e dos outros Ramos, da GNR e da PSP, bem com os embaixadores da França e de Angola e representantes diplomáticos da Rússia, Hungria e de Adidos de Defesa de países amigos.

Presentes também muitos directores gerais, vice Almirantes e Generais e um representante do Presidente da Câmara Municipal de Lisboa, vários presidentes de associações diversas bem como muitos núcleos da Liga dos Combatentes com suas delegações e porta guiões. O orador convidado Prof. Doutor Eduardo Marçal Grilo proferiu uma importante intervenção subordinada ao tema Educação, Forças Armadas e o Combatente, tendo a certa altura defendido a importância da existência do serviço militar obrigatório na educação para a cidadania. Seguiu-se a intervenção do senhor Ministro da Defesa que mais uma vez salientou a missão indispensável da Liga dos Combatentes e o seu papel único na defesa dos valores e apoio aos combatentes carenciados.

Foram depois agraciados com a medalha de Mérito da Liga dos Combatentes o Coronel Belchior, presidente do núcleo do Porto, o major Carvalho do núcleo de Aveiro, a funcionária da DC D. Maria Hortense e a título póstumo o ex-secretário geral Cor. José Medina Ramos, na pessoa de sua esposa. A cerimónia prosseguiu com a recepção do estandarte do núcleo de Lillers, em França fundado em 1929, entregue pela D. Felícia Assunção, filha do combatente da I GG, que desempenhou as funções de tesoureiro daquele núcleo e foi porta guião da Liga em Lillers, tendo depois a MDme Assunção durante anos ter assumido essa missão, O estandarte que se encontrava na câmara de Lillers e onde passará a estar uma réplica será integrado no Museu da Liga dos Combatentes. Passou-se depois à cerimónia de Honra aos mortos, tendo sido descerrados os nomes de três militares mortos nas missões de Paz e humanitárias, um no Kosovo, um na Costa do Marfim e um em Timor. Descerraram os seus nomes na placa evocativa o senhor Ministro da Defesa acompanhado do Presidente da Liga. Foram depois colocadas coroas de flores na base do monumento por mais de trinta associações e entidades e ouvida uma evocação religiosa pelo Capelão do Exército Padre Teixeira. Ouvido o Hino da Liga tocado pela Banda da Marinha, ramo que foi responsável pela organização militar da cerimónia, as forças em parada desfilaram em continência ao senhor Ministro da Defesa. Já no interior do Forte, na sala Aljubarrota, foram assinados os protocolos com Centro de apoio Jovem de Alcântara e com a Universidade do Minho. Mdme Assunção fez entrega de lembranças da Mairie de Burbure e de Lillers e o Mestre Hilário que acabava de fazer uma exposição de pintura do Forte entregou à Liga uma obra sua.

Foi atribuída ao presidente da Direcção Central da Liga dos Combatentes a“Comemorative Flames of Memory Medal”, pela Delegação “General Moshe Dayan” dos Veteranos de Guerra Judeus do Canadá, em Winnipeg – Manitoba, que foi entregue pelo senhor Pedro Correia, em representação do presidente, ofertando ainda o símbolo de Manitoba – o Bisonte Americano. Seguiu-se a visita às exposições de que se distinguem mais dois espaços, um evocativo do Exército e outro da marina que passarão a estar abertos a título permanente, bem com a exposição didáctica da História da Aviação Militar Mundial, igualmente de carácter permanente. Duas outras exposições de carácter temporário foram inauguradas uma fotográfica relativa à IGG e outra de pintura de Umbelina Ribeiro.

 

DISCURSO DO PRESIDENTE DA LIGA DOS COMBATENTES TENENTE-GENERAL JOAQUIM CHITO RODRIGUES 13 DE NOVEMBRO DE 2010

 

Exmo. Senhor Ministro da Defesa Nacional
Em meu nome e de muitos milhares de combatentes, membros da Liga dos Combatentes, agradeço a imediata aceitação e disponibilidade de Vª Ex.ª para presidir a esta cerimónia. Há precisamente um ano, acabava Vª Ex.ª de assumir as actuais funções, esteve igualmente connosco proferindo palavras de reconhecimento e incentivo que nos tocaram e registámos com satisfação. Cumpre-me hoje publicamente sublinhar a atitude política de compreensão e apoio que Vª Ex.ª e o senhor Secretário de Estado têm tido para com a Liga dos Combatentes.

Exmo. Senhor General Chefe de Estado Maior da Força Aérea
Exmo. Senhor V/Almirante Representante do Chefe do Estado-Maior-General das Forças Armadas
Exmo. Senhor Vice-Chefe do Estado-Maior do Exército em representação do General Chefe de Estado Maior do Exército
Exmo. Senhor C/Almirante em representação do Almirante Chefe do Estado-Maior da Armada
Exmo. Senhor General 2º Comandante em representação do General Comandante Geral da GNR e do Director Nacional da Polícia de Segurança Pública

O nosso reconhecimento pela vossa presença e pelos apoios concedidos à Liga dos Combatentes ao longo do ano em curso. Sempre a Liga dos Combatentes cumpriu missões de interesse nacional em áreas onde o estado tem ficado aquém das necessidades. Mas sabemos também que isso só tem sido possível e só continuará a sê-lo, com os apoios dos Governos, das Forças Armadas e Forças de Segurança. É evidente para todos que a sobrevivência secular, a perenidade e a inegável utilidade pública da Liga, face às actividades de solidariedade e patrióticas que desenvolve, só tem sido e só continuará a ser possível com esses apoios financeiros e humanos. Sentimos e somos testemunhas do trabalho útil, solidário, patriótico e humanitário que mais de quatrocentos dirigentes voluntários e dezenas de milhares de combatentes desenvolvem. Consideramos ser do interesse nacional terem possibilidade de poderem continuar a desenvolver as sua actividades e apoiar os mais carenciados.

Exmo. Senhor Professor Doutor Eduardo Marçal Grilo

Não obstante a sua apertada agenda de trabalho temos a honra de o ter hoje connosco. Agradecemos sensibilizados em nome da Liga dos Combatentes ter aceitado o convite que lhe formulámos para que, neste dia festivo e evocativo de momentos da nossa história recente, aqui nos deixe o contributo de um ilustre cidadão atento aos problemas da Educação, das Forças Armadas e dos Combatentes em geral. Permitam-me uma palavra de agradecimento à Mme Felícia Pailleux pela sua presença entre nós trazendo-nos o histórico estandarte da Liga, em Lillers, de que seu pai, combatente da IGG e ela própria foram porta-estandarte em França, durante os últimos oitenta e um anos.

Exmos. Senhores Embaixadores e representantes de Embaixadores de Países Amigos que nos honram com a sua presença
Exmos. Senhores Directores-Gerais Almirantes e Generais
Exmo. Senhor Vereador representante do Senhor Presidente da Câmara Municipal de Lisboa
Exmos. Senhores Adidos de Defesa e Militares de Países Amigos e Representante do Secretário-Geral da CPLP
Exmos. Senhores Membros Honorários e Membros do Conselho Supremo

Exmos. Senhores Presidentes da:
- British Legion em Portugal
- Souvenir Française e des Amicalles
- Legião Estrangeira Espanhola em Portugal
Exmo. Senhor V/Presidente da Cruz Vermelha Portuguesa
Exmo. Senhor Representante do Presidente da Freguesia de Belém
Exmas. Entidades e Autoridades civis, religiosas e militares
Exmos. Presidentes de Associações presentes
Exmos. Senhores Presidentes de Núcleos da Liga dos Combatentes

Caros Combatentes e Exmas. Famílias
Minhas Senhoras e meus Senhores

1918 e 1974 são dois anos do Sec. XX que, independentemente de outras considerações, se inscrevem na memória dos portugueses como anos em que se materializou o fim de duas guerras. Anos que marcam o fim de acontecimentos que exigiram esforços sobre humanos a muitos deles, com consequências para além deles, que ainda hoje perduram. A Liga dos Combatentes acontece porque aqueles fenómenos anormais da convivência humana aconteceram, nascendo com a finalidade de colmatar algumas das consequências desumanas que aqueles fenómenos provocaram. É pois absolutamente natural que a Liga dos Combatentes venha ao longo dos anos a não deixar esquecer esse esforço nacional e individual. Comemoramos hoje três efemérides. Duas que evocam dois momentos de paz. O fim da IGG, há 92 anos, e o fim da Guerra do Ultramar há 36. Conflitos que são a razão de ser da nossa vivência como Instituição patriótica e de solidariedade e de cuja fundação assinalamos hoje o 87 º aniversário. Mais uma vez o fazemos neste espaço de homenagem ao soldado português e por isso de enorme significado para os combatentes por Portugal.

Ladeado por um ícone histórico, a Torre de Belém, e por um recente ícone científico, a Fundação Champalimaud, um ícone de Cultura, Cidadania e Defesa levanta-se hoje no Forte do Bom Sucesso, com o Museu do Combatente e o Monumento aos Combatentes do Ultramar. Começa a poder oferecer-se á sociedade portuguesa e aos combatentes, um espaço onde a partilha da memória comum e da história recente militar, permitem a promoção da cidadania, da cultura e do espírito de defesa. Estamos com isso cumprindo um objectivo explícito dos nossos estatutos. Há 89 anos meia dúzia de combatentes movidos por um sentimento patriótico e humanitário decidiram levar por diante uma ideia de solidariedade e apoio mútuo para com os seus camaradas havia três anos regressados das frentes, europeia e africana, da I GG. Passados dois anos, em reunião geral, elaboravam a primeira acta criando a estrutura do que viria a ser a Liga dos Combatentes da Grande Guerra. Evocamos mais uma vez, a história de todo o passado que conhecemos. Passado que se inspira em objectivos absolutamente actuais. Em termos da União Europeia vivemos o ano europeu de luta contra a fome a exclusão social e a pobreza. Em termos de ONU temos esses objectivos como objectivos do milénio. Em termos de Liga dos Combatentes temos esses lemas como objectivos diários há quase um século. Mas as grandes instituições inspirando-se e orgulhando-se do seu passado, mostram vitalidade e saúde, quando têm razões para falar do presente e do futuro. Por isso é do presente e do futuro que durante alguns momentos vos falarei hoje. Na prossecução dos objectivos estatutários da Liga, esta continuou a reger-se, no corrente ano, por quatro grandes linhas de acção:

- Liderança
- Inovação
- Gestão
- Abertura

Liderança do Movimento Associativo, de que é exemplo a sua contribuição para a organização, no corrente ano, do Congresso dos Combatentes e para a organização do desfile dos combatentes na cerimónia militar do passado dia 10 de Junho. Liderança nas comemorações do 9 de Abril e 11 de Novembro bem como na comemoração (pela primeira vez) do fim da Guerra do Ultramar em comunhão com esta ultima efeméride. Liderança na implantação de um novo conceito de combatente, que evita a designação de ex-combatentes ou antigos combatentes, para adoptar o conceito alargado e abrangente de combatente, condição que uma vez adquirida jamais é perdida. Pelo contrário é usada com toda a honra pela vida fora. Enfim Liderança na forma como sempre apoiou e continua a apoiar os combatentes e suas famílias. Inovação que se expressa no conjunto de programas estratégicos definidos e prosseguidos há cinco anos e que nunca é demais enunciar já que eles perseguem os objectivos que são a nossa razão de existir e como tenho afirmado são as artérias da nossa vida corrente:

- Liga Solidária
- Cultura Cidadania e Defesa
- Conservação das Memórias
- Inovação e Modernização
- Cuidados de Saúde
- Passagem de Testemunho

No Programa Estratégico Liga Solidária assinalo no corrente ano:

- A finalização da creche no Lar dos Filhos dos Combatentes do Porto cuja inauguração se prevê para finais do corrente ano.
- O fim da primeira fase de adaptação do Lar do Porto e início da última fase de obras de adaptação, prevendo-se a sua finalização para o próximo ano
- O facto de, mais uma vez, se não ter sido apoiado pela Segurança Social em qualquer dos concursos relativamente aos outros lares.

No Programa Cultura Cidadania e Defesa:

- É com satisfação que tomámos conhecimento da determinação do Sr. Ministro da Defesa para através do IDN preparar a introdução no ensino básico e secundário de matérias referentes à defesa e segurança, como ensino para a cidadania. Proposta por mais de uma vez feita pela Liga e que consta das conclusões do último Congresso dos Combatentes.
- Demos continuação à recuperação, requalificação e manutenção do Forte do Bom Sucesso. No corrente ano enriquecido, com o estabelecimento do Café do Forte, com a recuperação e dignificação da instalações sanitárias exteriores, a adaptação e criação de um novo espaço para exposição permanente da História mundial da aviação militar, para além da criação de novos espaços museológicos com o apoio da Marinha e do Exército, a inaugurar hoje. Gostaria também se agradecer ao Exmo. senhor Engenheiro José Maria Sardinha por ter decidido doar à Liga o produto do seu trabalho de uma vida inteira e que nos permite colocar à disposição do público um espaço pedagógico único, sobre a história da aviação militar mundial. No âmbito da cultura assinalo ainda para além da nossa revista trimestral, a edição do Livro Revisitar Goa Damão e Diu, resultante do ciclo de conferências aqui realizadas, do Livro Coping, estratégias para o stress pós traumático em combatentes, e do primeiro livro da colecção Fim do Império, na sequência da tertúlia coordenada pelo núcleo de Oeiras na galeria Verney. De referir ainda as exposições de pintura e fotográficas e Os Combatentes na I República a inaugurar hoje, com a exposição de pintura de Umbelina Ribeiro e a História da Aviação Militar.

No programa estruturante Cuidados de Saúde, dinamizado numa perspectiva integrada e de funcionamento em rede através dos Núcleos, assinalo a materialização, com equipas multidisciplinares, da trilogia Centro de Estudos e Projectos de Investigação (CEPI), dos Centros de Apoio Medico Psicológico e Social CAMPS de Coimbra, Porto e Chaves, que se juntaram a Lisboa e Loulé, e do CAIS Centro de Apoio à Inclusão Social. Assinalo igualmente as acções de formação realizadas e o apoio a doutoramentos e mestrados, bem como os protocolos realizados neste âmbito com a Universidade de Coimbra e Universidade do Minho e outras entidades de apoio social nomeadamente com o IASFA e Associação de Acolhimento de Alcântara a efectuar hoje. Acompanhamos cerca de 1500 combatentes e famílias em apoio médico psicológico e social, cerca de 300 famílias no apoio à inclusão social e 80 combatentes sem abrigo. Agradecemos o apoio da Fundação Gulbenkian a este Programa Cuidados de Saúde,
exemplo que gostaríamos de ver seguido por outras entidades contactadas. Está em curso o maior estudo sobre a prevalência do stress pós traumático jamais realizado em Portugal. Estará concluído em 2012. O estudo está a ser realizado pelo CEAMPS da LC em parceria com o Centro de Investigação em Psicologia de uma Universidade com quem efectuámos protocolo em 2008.

No Programa Inovação e Modernização para além da continuação do esforço de informatização dos núcleos, da manutenção e desenvolvimento de um site moderno e permanentemente actualizado e que constitui hoje uma fonte de informação importante para os combatentes e público em geral e uma imagem moderna da Liga, estabeleceu-se um programa de investimento na área das energias renováveis. Inovámos na modernização do arquivo histórico da Liga que hoje pode ser consultado de maneira eficiente e digna para além de nos termos candidatado em programa externo para a digitalização do mesmo.

No Programa Conservação das Memórias é de sublinhar o cumprimento da Missão iniciada na República da Guiné-Bissau, com a realização da Quinta Operação naquele país, que conduziu à concentração, no cemitério de Bissau, de mais 41 corpos que se encontravam espalhados pelo país. Ainda no corrente ano assinalo a Operação Nova Frente que acaba de terminar em Moçambique e deu início a este novo compromisso e constituiu um reconhecimento profundo do Norte do país, conduzido por três elementos da Direcção Central e dirigidos no terreno pelo Vice-Presidente da Liga. Estivemos ainda no reconhecimento e controlo da situação no centro da Europa, nomeadamente em Richebourg, Boulogne-sur-Mer e Salomé. Gostaria de assinalar a restauração do monumento existente em Lacouture e que deu ao monumento a grandiosidade que teve aquando da sua entrega à cidade pela Liga dos Combatentes. Estivemos em S. Tomé e Cabo Verde onde no início do corrente mês foi terminada a total recuperação e dignificação do talhão existente no Mindelo. Continuámos a criação e dignificação dos Talhões em Portugal e Regiões Autónomas e sublinho a beneficiação realizada no Cemitério do Alto de S. João, dando melhor dignidade a um dos talhões ali existentes. A Liga não esquece. Continuamos a inovar ao desenvolver um projecto materializado num Plano de implementação sistemática do Programa Estratégico Passagem do Testemunho garantindo a perenidade da Liga com a inclusão dos novos combatentes das operações de paz e humanitárias. A Inovação garantida com o estabelecimento destes Planos Estratégicos e Estruturantes é para nós, hoje evidente e deu uma nova vitalidade, visibilidade e utilidade, à nossa instituição. Para além da Liderança e da Inovação é indispensável garantir uma adequada Gestão de recursos humanos e materiais. Definimos no início do ano, por directiva, uma orientação tendo em vista a redução de despesas e a descoberta de formas de obtenção de receitas novas. Sofremos este ano de 2009, um corte de 20% no normal apoio do MDN para a vida corrente. Isso levou-nos à elaboração daquela directiva já que o apoio estatutário a que o estado se obriga no apoio à Liga é, como já disse, indispensável para o cumprimento da sua missão. Conseguimos reduzir despesas, descobrir algumas novas receitas e aumentar os apoios.

O futuro recomenda os mesmos esforços, já feitos no corrente ano, fazendo o mesmo ou melhor, com os recursos que viermos a ter disponíveis. Aguardamos com expectativa os apoios para o novo ano. Todos, dirigentes, funcionários e sócios, estão conscientes na necessidade de fazer um maior esforço na obtenção de novas receitas, novos sócios, na recuperação das quotas não pagas e no aumento de sócios que se inscrevam no cartão GALP, bem como na garantia dos apoios externos. Estes factores são hoje determinantes para uma vivência activa e útil da Liga quer no cumprimento dos seus objectivos quer na manutenção dos postos de trabalho hoje existentes. Finalmente a Linha de acção que denominámos de Abertura. Assistimos hoje, a uma relação mais fácil com a comunicação social quer ao nível da televisão, com referências e programas mais frequentes, quer da comunicação escrita. Estabelecemos relações protocolares com diversas instituições atingindo o número de trinta, os protocolos realizados nos últimos anos e no ano em curso assinalo os protocolos com o MDN, a Faculdade de Psicologia da Universidade de Coimbra, com o INATEL, com a Cister Cruzeiro, estando finalizados como já referido, os protocolos com a Universidade do Minho, com o Centro de Acolhimento e Reabilitação do Desafio Jovem de Alcântara e com o IASFA. Abertura igualmente no diálogo com outras associações e que se materializa nas boas relações existentes e no reconhecimento das capacidades da Liga para continuar a luta pelos direitos e deveres de apoio aos combatentes.

Meus Senhores e Minhas Senhoras Todos estamos conscientes dos momentos difíceis que vivemos. Por estranho que pareça não me ouviram empregar a palavra crise. Nem crise de valores, nem crise económico-financeira. Por duas razões. Crise de valores não temos. Crise económicofinanceira sempre tivemos. Com ela convivemos há quase um século, pois nunca dispusemos de meios suficientes para acorrer às necessidades reais dos combatentes. A nossa luta sempre foi uma luta pela dignidade dos vivos e pela honra dos caídos. Continuaremos lutando para que a solidariedade e apoio mútuo continuem a ser possíveis. Tudo quanto vem sendo realizado dificilmente seria conseguido se os elementos que constituem a direcção dos Núcleos e a Direcção Central nos últimos anos, não tivessem constituído uma equipa coesa e dedicada e totalmente voluntária no apoio ao Presidente da Direcção Central. Por isso é tempo de manifestar a todos o meu apreço e louvar todos os dirigentes e elementos da Direcção Central.

Termino evocando mais uma vez o significado dos momentos que nos trazem aqui hoje e do espaço que nos rodeia e onde evocamos a memória dos soldados caídos por Portugal. É um verdadeiro Império da Memória. Por isso lhe dedico hoje, este poema
a que dei o título de:

 

IMPÉRIO DA MEMÓRIA

Neste espaço em que Portugal existe
Onde nasce Império de Quentes Sóis
Cruzam-se vozes que ouves e ouviste
Respira-se o sentir de alguns heróis.
O Tejo testemunha de longos anos
Sente-se ultrapassando as próprias margens
Levando nas águas lucros e danos
Maldades e bondades das homenagens.
Uma Torre marca o início do Império
Alem, obelisco de Gago Coutinho
Congrega do Ar e do Mar, todo o Génio.
Em Terra, carregada de História
Fim de Portugal de Timor ao Minho
É escrito em dez mil Nomes e Memória.

 

Forte do Bom Sucesso, 13 de Novembro de 2010

O Presidente da Liga dos Combatentes
Joaquim Chito Rodrigues
Tenente-general