COMEMORAÇÕES DO 94º ANIVERSÁRIO DO ARMISTÍCIO, DO 89º ANIVERSÁRIO DA LIGA DOS COMBATENTES E 38º ANIVERSÁRIO DO FIM DA GUERRA DO ULTRAMAR

11.12.2012 - Em 11 de Novembro de 2012 a Liga dos Combatentes com o apoio do Estado-Maior General das Forças Armadas organizou as comemorações acima mencionadas no Forte do Bom Sucesso em frente ao Monumento aos Mortos do Ultramar. As cerimónias foram presididas pelo Chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas, General Esteves Araújo e contaram com a presença do Secretário de Estado Adjunto e da Defesa Nacional Dr. Braga Lino em representação do Sr. Ministro da Defesa Nacional.

O programa iniciou-se com as alocuções alusivas ao ato pelo Presidente da Direção Central da Liga dos Combatentes – General Chito Rodrigues, pela entidade convidada para orador, o Diretor Nacional da Polícia de Segurança Pública - Superintendente Valente Gomes, com o tema “Participação da Polícia de Segurança Pública nas Operações de Manutenção da Ordem e da Segurança Pública no ex-Ultramar Português e nas Operações de Paz” e pela Alta Entidade que presidiu às cerimónias o Chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas – General da Força Aérea Luís Evangelista Esteves Araújo.

Terminadas as alocuções, decorreu a imposição de condecorações privativas da Liga. Foram galardoados com medalha de Honra ao Mérito:

Grau Ouro – Coronel Adalberto André Trabassos Fernandes.
Grau Prata – Jacinto António Morais Bravo (Núcleo de Mora);
Coronel José Manuel de Ataíde Montez (Núcleo de Oeiras);
Coronel Manuel Júlio Matias Barão da Cunha.

Após o descerramento duma placa de homenagem a combatentes das Forças de Segurança que morreram em Angola em 1961, seguiu-se a Homenagem aos Mortos pela Pátria com a deposição de flores pelas entidades oficiais e associações de combatentes com os toques de silêncio e alvorada e finalizando com o Hino da Liga. Por último seguiu-se o desfile das forças em parada, constituídas por uma Guarda de Honra, formada por uma companhia a três pelotões, um de cada Ramo, com Estandarte Nacional e Banda com requinta. As cerimónias terminaram com uma visita ao Forte do Bom Sucesso e às exposições nele patentes e com a assinatura do Livro de Honra da Liga pelos Chefes dos Ramos.

O discurso do Presidente da Direção Central da Liga dos Combatentes após os agradecimentos pela presença de tão ilustres convidados, dirigiu-se à memória dos que caíram pelo seu amor à Pátria, evocando os feitos do soldado português do século XX e XXI, que constituem um exemplo para aqueles que hoje servem Portugal nas Forças Armadas e Forças de Segurança. O Presidente da Liga referiu que “Forças de Segurança que hoje vamos homenagear ao convidar o Diretor Nacional da PSP para proferir uma alocução sobre a participação dessa Policia nas Operações de Manutenção da Ordem e da Segurança no ex-Ultramar Português e atualmente nas Operações de Paz nos vários territórios onde tem atuado, para além de descerrarmos uma placa com o nome dos seus mortos caídos na guerra do Ultramar em ações de combate no apoio às Forças Armadas e de inaugurarmos no Museu do Combatente um espaço museológico dedicado à PSP, que se juntará aos já existentes, da Marinha, do Exército, da Força Aérea e da GNR.”

 


DISCURSO DO EXMO. GENERAL JOAQUIM CHITO RODRIGUES

 

Exmo Senhor Chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas, General Luís Esteves Araújo

Como o mais alto responsável pela defesa militar da República é com muita honra e profundo respeito que o recebemos hoje, para presidir a esta cerimónia evocativa da Paz e Solidariedade entre nações e cidadãos combatentes. Conhece V. Exa os Teatros de Operações ultramarinos onde, como muitos de nós, se bateu com honra e dignidade ao serviço das Forças armadas Portuguesas de que hoje é o responsável máximo. Agradecemos sensibilizados a sua presença e o seu apoio real e incentivo permanente à Liga dos Combatentes e aos combatentes em geral. Conta por isso com a nossa admiração e compreensão neste momento difícil e complexo da vida nacional.

Exmo Senhor Secretário de Estado Adjunto e da Defesa Nacional Eng Braga Lino em representação de Sua Exa o Ministro da Defesa Nacional

Há precisamente um ano, neste mesmo local e em cerimónia idêntica, Sua Exa o Ministro da Defesa Nacional, afirmava ser a cerimónia mais importante que até aí tinha presidido. Afirmação que entendemos como de reconhecimento pela singularidade e significado deste lugar e pelas centenas de milhares de portugueses que durante o secXX deram corpo e alma a esta instituição patriótica e humanitária e a outras organizações de combatentes. Temos Va Exa mais uma vez connosco, hoje em representação de sua Exa o ministro da defesa nacional. Esperamos que um ano decorrido, os motivos de celebração desta cerimónia e as circunstâncias da sua realização permitam manter a opinião então formulada. O 11 de Novembro e o 9 de Abril são marcos da história militar de Portugal que a Liga dos Combatentes tem mantido e sempre manterá bem vivos.

Agradecemos a Va Exa a estimulante presença e agradecemos o apoio que vem prestando à Liga dos Combatentes e aos combatentes em geral.

Exmo Senhor Chefe do Estado-Maior da Armada, Almirante José Saldanha Lopes
Exmo Senhor Chefe de Estado-Maior da Força Aérea, Gen José Araújo Pinheiro
Exmo Senhor Chefe do Estado-maior do Exército Gen Artur Pina Monteiro
A Vossas Exas, como responsáveis pela defesa militar da Republica, presto a minha homenagem.

Neste dia em que evocamos dois momentos de paz, anos após, às nossas Forças Armadas ter sido determinado que fizessem a guerra, com as consequências de todos conhecidas, sublinho a forma como sempre reconheceram e se curvaram perante os caídos e apoiaram e apoiam os combatentes saídos com vida dos conflitos em que Portugal têm tomado parte. A Liga dos Combatentes agradece a Vas Exas a compreensão permanente e o apoio moral e apoio material concedidos.

Exmo Senhor Deputado à Assembleia da Republica, Dr Helder Sousa Silva
Senhor General Chefe da Casa Militar de sua Exa o Presidente da República Gen Carvalho dos Reis
Senhor Diretor Nacional da PSP Superintendente Paulo Jorge Valente Gomes
Senhor general representante do Comandante Geral da GNR
Senhor Vereador Dr Manuel Brito representante do Presidente da Câmara Municipal de Lisboa
Senhor Dr Fernando Rosa Presidente da Junta de Freguesia de Belém
Senhor Inspector Geral da Defesa Nacional Dr Rogério Rodrigues
Senhor Diretor geral de pessoal e recrutamento militar Dr Alberto Coelho
Senhor Presidente do IASFA general Fialho da Rosa
Senhor General representante do Presidente da Cruz Vermelha Portuguesa
Senhores Almirantes, Senhores Generais e Diretores Gerais
Senhores Adidos de Defesa de Países Amigos
Senhores Presidentes e Membros do Conselho Supremo e Fiscal da Liga dos Combatentes
Senhores Presidentes de Associações de Combatentes Nacionais e Estrangeiras e de Núcleos da Liga dos Combatentes

Ilustres Convidados
Minhas Senhoras e meus Senhores
Combatentes

Desde há quatro anos que, por motivos de economia de meios, decidimos no dia 11 de Novembro evocar numa mesma cerimónia, o dia do Armistício da IGG, o dia do fim da guerra do Ultramar e o dia da Liga dos Combatentes, que decorreu a 16 de Outubro. Estão também connosco neste dia Associações de Combatentes e Associações estrangeiras a quem felicitamos e agradecemos a presença. Como sempre, nos cem núcleos espalhados pelo país e pelo estrangeiro, a Liga dos Combatentes leva a efeito cerimónias locais evocativas destas mesmas efemérides. Já hoje estivemos na Avenida da Liberdade junto ao Monumento aos Combatentes da I GG onde colocámos uma coroa de flores.

Com essas cerimónias, promovemos a História e o amor à Pátria evocando os feitos do soldado português, nomeadamente no século XX e XXI.

Cultivamos viva a memória dos que caíram, ao mesmo tempo que damos o exemplo e incentivamos os que hoje servem Portugal nas Forças Armadas e Forças de Segurança.

Forças de Segurança de que hoje distinguimos a Polícia de Segurança Pública. Temos a honra de ter hoje connosco como entidade convidada para nos proferir uma alocução, o Exmo Senhor Director Nacional da PSP, Superintendente Paulo Jorge Valente Gomes, que amavelmente acedeu ao nosso convite.

Descerraremos uma placa com o nome dos seus mortos, caídos na guerra do ultramar em ações de combate no apoio às Forças Armadas e inauguraremos no Museu do Combatente um espaço museológico dedicado à PSP que se juntará aos já existentes, da Marinha, do Exército, da Força Aérea e da GNR.

Evocamos hoje o Armistício de uma Guerra da qual se aproxima o Centenário do seu início. O ano de 2014 e seguintes, em toda a Europa e não só, serão anos de evocação e memória.

A Liga dos Combatentes continuará a não esquecer as suas tradições históricas. Estamos disponíveis para colaborar com as Forças Armadas e a sociedade civil nas acções que coordenadamente for entendido serem desenvolvidas.

A Primeira Guerra Mundial ocorre na Europa e em todo o mundo de 1914 a 1918. Envolve nações de todos os continentes, de que se destacam no teatro europeu a Rússia, a Grã-Bretanha, a França, a Alemanha e o Império Austro-Húngaro. Para além da destruição estima-se que tenham morrido mais de oito milhões de pessoas. O Armistício, assinado a 11 de Novembro de 1918 em Compiègne, pôs fim a esse brutal conflito armado, determinando a derrota das forças germânicas e seus aliados.

A guerra evoluiu favoravelmente no Ocidente com o início da guerra submarina. A partir de Fevereiro de 1917 os Estados Unidos da América entram em guerra do lado dos Aliados, factor que se revelou decisivo, face às dificuldades sentidas devido ao abandono do conflito por parte da Rússia, após a sua revolução interna desse mesmo ano. O descontentamento do povo alemão e o seu grave problema económico, contribuíram para a derrota de umas forças armadas que se mantinham até certo ponto operacionais. A 18 de Julho e a 11 de Agosto de 1918 os Aliados obtêm vitórias significativas entre Reims e Soissons, induzindo o marechal Ludendorff a pedir o final da guerra a 14 de agosto de 1918. Entretanto, o governo alemão propôs um armistício ao Presidente americano Thomas Wilson tendo depois o governo sido entregue por Maximiliano da Baviera a Friedrich Ebert e Philipp Scheideman que proclamou a República.

Guilherme II parte para o exílio, sendo então assinado o armistício que punha um ponto final à IGG.

O desenvolvimento do Armistício levaria a Europa, 21 anos depois, por razões políticas semelhantes, a uma II Guerra Mundial, apenas se conseguindo a Paz prolongada, pela dissuasão do terror. A evocação de períodos da História como estes, em momentos de crise grave, é importante e mesmo fundamental, para que nas decisões a tomar pelos governos, estes os tenham em consideração e não criem condições políticas e sociais, para que se repitam.

Para Portugal, para quem na IGG foi vital defender, com pesadas baixas, as então colónias portuguesas que a conferência de Berlim aconselhara a ocupar, a história viria a evoluir rapidamente, obrigando a uma atitude estratégica defensiva de iniciativa própria, mas contra os ventos que a história fizera mudar de sentido e de quadrante.

A guerra do ultramar fez-se. Temos ainda nas mãos muitas das suas consequências. Passados que são 38 anos sobre o fim dessa guerra, que hoje igualmente evocamos, para além de problemas de âmbito nacional, continuam por resolver muitos problemas dos combatentes e suas famílias por nunca ter existido uma política global de apoio social e de saúde estável e bem definida, caindo sobre o movimento associativo um esforço enorme na luta pela resolução dos problemas com que se têm deparado os combatentes. É real que nos últimos anos se vem notando um reconhecimento por parte dos responsáveis políticos dos sacrifícios porque passaram e dos serviços prestados por esses cidadãos, nomeadamente no dia 10 de Junho e em dias como o 9 de Abril ou o de hoje, já que no que diz respeito à resolução de problemas concretos, de apoio material, social e de saúde, há um longo caminho a percorrer

É nessa luta permanente que a Liga dos Combatentes está e sempre esteve empenhada.

Nos cem Núcleos existentes, a Liga dos Combatentes apoia diariamente os combatentes no esclarecimento e encaminhamento quer de assuntos de caracter militar do seu interesse, quer no apoio e resolução de problemas de carater social e da saúde, não esquecendo a cultura, o ensino, o trabalho, o lazer, em quatro palavras, os Valores, a Solidariedade e o Apoio Mútuo. Gostaria de ver melhor reconhecida essa capacidade de resposta e de economia de meios que é intrínseca à Liga dos Combatentes. Sobre as actividades do ano em curso permitam-me que fale mais de resultados do que de problemas e transmita a convicção e determinação de que ultrapassaremos as dificuldades que se nos deparam. No corrente ano e em síntese, saliento os Programas Estratégicos e Estruturantes:

No Programa Liga Solidária, após a finalização da 1a fase do Lar do Porto por adaptação do Lar dos Filhos dos Combatentes, vamos fazer o Lançamento da 2a fase das obras, atrasadas pelo facto de nos ser exigido pela Câmara Municipal do Porto a verba de 10.000 Euros pelo simples levantamento de um Álvara que nem a invocação de IPSS resolveu. Fizemos a inauguração da Creche com a presença do Sr Secretário de Estado Adjunto e da Defesa Nacional. Pela quarta vez vamos concorrer para um Lar em Estremoz num programa do governo para o Alentejo.

No Programa Conservação das Memórias, após a constituição de um ossário em Nampula, sublinhamos a realização da Operação Nova Frente 4 que materializou a quarta intervenção em Moçambique para localização concentração, identificação, dignificação e manutenção dos lugares onde se encontram inumados militares caídos ao serviço de Portugal.

A recuperação e manutenção das três centenas de talhões existentes em Portugal, incluindo a cripta do Alto de S. João, completaram um trabalho permanente de um programa exigente e sem fim. No Programa Cuidados de Saúde materializámos este ano, os Centros de Apoio Médico Psicológico e Social de Beja, Angra do Heroísmo estando na sua fase final o do Funchal e que se juntam aos seis já existentes. Foi possível apoiar, neste programa, nos três primeiros trimestres do corrente ano, seis mil combatentes. Damos relevo ao Protocolo estabelecido com a Ordem Nacional dos Psicólogos e ao aumento das necessidades de apoio à deficiência física e mental e apoio social, sem meios necessários e suficientes, havendo que reduzir despesas e apoios.

No Programa Cultura Cidadania e espírito de Defesa para além dos prémios escolares atribuídos a alunos dos estabelecimentos de ensino militar que se distinguiram nestes âmbitos, assinalo as 14 exposições levadas a efeito no Museu do Combatente bem como as 44 exposições organizadas pela DC com acervo próprio, em apoio dos núcleos e em cooperação com as autarquias. Sem despesas e com uma equipa diminuta.

No âmbito do estudo e investigação da guerra do ultramar a continuação da Tertúlia Fim do Império e a edição do 8o e 9o livros da Colecção com o mesmo nome em colaboração com a Comissão de História Militar e a Câmara Municipal de Oeiras.
No que se refere ao Programa Modernização e Inovação sublinho a cooperação com a Torre do Tombo e a digitalização, sem despesas, dos arquivos da Liga dos Combatentes, para além dos 122.000 processos individuais já digitalizados, a digitalização dos Fundos do Fotógrafo Garcez, do Fundo fotográfico da embarcação Augusto Castilho, Da Comissão dos Padrões da Grande Guerra, do mestre Sousa Lopes, da FIDAC, do 18 de Abril de 1925 e dos movimentos revoltosos de 1927.
Continuou-se o esforço de dignificação das instalações dos Núcleos e a sua informatização.

Salientam-se as novas instalações dos Núcleos do Funchal, do Sabugal, de Santo André, de Vila Franca de Xira, do Ribeirão, de Campo Maior, de Portimão, da Lourinhã, entre outros com o apoio das autarquias.

Finalmente no Programa Passagem do Testemunho, procurámos, com os Ramos das Forças Armadas e as Forças de Segurança, divulgar os nossos objectivos, verificando-se na prática resultados positivos que se evidenciam pela existência de elementos jovens na direcção de alguns núcleos da Liga.

Minhas senhoras e meus Senhores

Somos uma instituição transversal da sociedade portuguesa. Como já tenho afirmado temos membros que vão do sem- abrigo a sua Exa o Presidente da República, do carpinteiro ao engenheiro, do soldado ao general, do agricultor ao empresário. Somos pois, uma instituição complexa onde convergem todas as sensibilidades da sociedade portuguesa. Vivemos e sentimos por isso os problemas que afectam as pessoas e a sociedade em geral. O seu bem-estar é o nosso bem-estar. A sua tristeza é a nossa tristeza. E com as suas vivências que nos debatemos dia a dia, como qualquer cidadão ou organização nacional. O que nos suporta enquanto Instituição e nos transforma num conjunto coeso e determinado, integrador de todas as sensibilidades, é essa massa aglutinante dos Valores Superiores porque um dia nos batemos e a Solidariedade e o Apoio Mútuo que há cerca de um século praticamos. Enfim, essa eficiente mística, estratégica e tacticamente articulada, que resulta da condição de termos sido militares, parte das nossas vidas, ao serviço das Forças Armadas portuguesas.

No nosso caso, combatentes em momentos históricos da vida de Portugal. Temos por isso moral para afirmar que, nas crises como na guerra, é preciso coragem e determinação para vencer, mas as vitorias só terão o seu real valor, se o nosso comportamento for exemplar e a acção, quer estratégica quer táctica, conduzida da forma mais humana possível. Aliás, foi essa a postura das Forças Armadas na guerra do ultramar. Por mais que alguns se preocupem em evidenciar as excepções negativas nos catorze anos de conflito, querendo fazer passar uma postura estratégica reprovável, o comportamento das Forças Armadas foi digno e o mais humano possível, havendo de facto "um modo português de fazer" e resolver a guerra. A memória e o sentimento de amizade que nos transmitem os povos africanos e os nossos próprios adversários directos, nos contactos de hoje, são disso testemunha.

Terminou então, mais um período da História de Portugal.

Terminou então o Império africano, como já havia terminado o Império das índias e o Império do Brasil.

Mas resta-nos um grande Império.

O Império que os Impérios perdidos sempre deixaram submerso. O Império da Alma. Esse Império de milhões de homens e mulheres portugueses, hoje espalhados pelo mundo. Pela Europa, pelo Canadá, pelos EUA, pelo Brasil, por Africa, pela Asia e pela Oceânia. É a esse mundo português, que denomino de Império da Alma, que importa hoje reconhecer e dar corpo. Aproveitar o seu portuguesismo profundo, a sua saudade salutar, a sua disponibilidade, a sua riqueza material e sentimental, enfim, reconhecer hoje e aprofundar essa informal realidade filosófica, sociológica, antropológica e porque não essa oportunidade política e económica.

Como factor determinantemente influenciador de um Conceito Estratégico Nacional evoco o potencial moral e material desse Império da Alma com o qual, de outras vezes, e noutros lugares deparei, como agora aconteceu ao visitar recentemente três Núcleos da Liga dos Combatentes, no Canadá. Como é forte o potencial de portuguesismo e compreensão que emanam.

Permitam-me que termine, neste dia de evocação da Paz, do fim de dois grandes conflitos e do nascimento da Liga dos Combatentes, com um poema meu, que dedico a esses portugueses da diáspora, muitos deles antigos combatentes, que um dia, tendo que deixar o lugar onde nasceram, combateram e combatem de Portugal ao peito, construindo as suas vidas e sempre disponíveis para contribuir para a construção de um novo Portugal.

Transformemos este Império da Alma num Império em rede, com Corpo e Alma.

IMPÉRIO DA ALMA

Enorme Império da Alma
Se espalha pelo mundo inteiro
Saudade sustenta, acalma
Da diáspora ao pioneiro

Portugueses emigrantes
Dispersos por esse mundo
São belo mundo errante
Orgulhoso lá no fundo

Novo império sobressai
Por entre impérios perdidos
Império da Alma não cai
Entre mortos e feridos

Respira-se o patriotismo
De quem ama o seu país
A eles sobra carisma
É forte a sua raiz.

ALOCUÇÃO DE SEXA O GENERAL CEMGFA, POR OCASIÃO DO ARMISTÍCIO
General Luís Evangelista Esteves de Araújo
(11 de novembro de 2012)

Senhor Secretário de Estado Adjunto e da Defesa Nacional
Senhor Almirante, Chefe do Estado-Maior da Armada
Senhor General, Chefe do Estado-Maior da Força Aérea
Senhor General, Chefe do Estado-Maior do Exército
Senhores Almirantes e Senhores Generais

Senhor Tenente-general, Chefe da Casa militar de Sexa o Presidente da República
Senhor Tenente-general, presidente da Liga dos Combatentes
Senhor Presidente da Junta de Freguesia de Santa Maria de Belém
Senhor Deputado da Comissão de Defesa Nacional da Assembleia da República
Senhor Diretor Nacional da Polícia de Segurança Pública
Senhores Diretores Gerais do Ministério da Defesa Nacional
Senhor Presidente da Associação de Deficientes das Forças Armadas
Senhores Adidos de Defesa
Minhas Senhoras e Senhores
Combatentes… Meus camaradas

As minhas primeiras palavras são para manifestar o meu orgulho institucional e pessoal, enquanto combatente, em presidir a esta singela mas significativa cerimónia, como é sempre timbre da instituição militar. A Comemoração do 94.º Aniversário do Dia do Armistício da Primeira Guerra Mundial permite-nos a reflexão acerca do fenómeno da guerra, tão antigo quanto a própria existência humana. Recordar os combatentes que, há cerca de 100 anos, num espaço longínquo da sua pátria, em território francês, na Flandres, lutavam ao serviço de Portugal é ter presente que ser combatente é sinónimo de sacrifício, de abnegação e de coragem. Celebrar o 89.º Aniversário da nossa Liga, (A Liga dos Combatentes) é prestar homenagem à instituição que nasceu da necessidade de dignificar, de apoiar e porque não dizer de acarinhar os combatentes da primeira grande guerra.

O esforço que a Liga dos Combatentes sob a direção exemplarmente atuante, enérgica e notavelmente criativa do seu presidente (Senhor Tenente-general Chito Rodrigues), que respeitosamente saúdo, tem dedicado à perpetuação da memória daqueles que perderam a vida servindo a Pátria, está materializado, entre outras importantes, dignas e relevantes atividades, no meritório trabalho de dignificação das campas e ossários dos militares portugueses, que tombaram no cumprimento da missão, quer no território nacional, quer no estrangeiro.

Estamos aqui, também, para comemorar o 38.º Aniversário do Fim da Guerra do Ultramar que, pela sua proximidade temporal, está ainda bem presente na memória de todos nós. Nesse prolongado conflito nos teatros de operações da Guiné-Bissau, de Angola e de Moçambique estiveram em confronto as Forças Armadas Portuguesas e as forças organizadas pelos Movimentos de Libertação de cada uma daquelas ex-colónias, uma guerra que privou muitas famílias portuguesas dos seus entes mais queridos, que pelo bom nome de Portugal combateram e lutaram alguns (muitos) com o sacrifício da própria vida. para eles a nossa sentida homenagem, neste dia que lhes dedicamos, relevando o facto, de que, durante este conflito, terem perdido a vida, também, no cumprimento da sua missão, muitos agentes da Polícia de Segurança Pública, circunstância, que hoje, tão justamente relembramos e homenageamos.

Combatentes, meus Camaradas
Atualmente, as nossas Forças Armadas (A Marinha, o Exército e a Força Aérea) operam em ambientes com dimensões e características diferentes dos da Primeira Grande Guerra e da Guerra do Ultramar, executando outro tipo de operações, agora designadas de paz e de apoio humanitário, em teatros como o Kosovo, no Índico, na Somália, no Mediterrâneo, na Islândia e no Teatro de Guerra do Afeganistão, onde a tónica e a forma de ser e de estar do militar português continua a evidenciar-se, (com o mesmo espirito de sacrifício e sentido do dever) no cumprimento da sua missão, sempre com a honra e exemplar dignidade como aconteceu no passado. Desta forma, como combatentes, as mulheres e os homens, ao serviço de Portugal devem e têm que ser sempre recordados e lembrados para que os portugueses reconheçam o esforço e a opção consciente destes cidadãos em uniforme, ao colocar o que há de mais sagrado – a sua vida - ao serviço da nossa Pátria.

É por isso, que evocamos esta tão justa e nobre recordação, olhando, sentidos, e em sentido, este muro sagrado que nos envolve a mente e o coração, este muro que espelha a dignidade e a alma com que um povo exalta e engrandece os filhos da pátria que lhe dedicaram o bem mais precioso – as suas vidas.

Militares
Hoje, como ontem, e, estou convicto, amanhã, porque os nossos valores, princípios e referências são perenes continuaremos a cumprir bem a nossa missão, homenageando aqueles que, como combatentes, deram a vida por Portugal.
É este o nosso dever inalienável.
É este o dever da nossa geração.

Minhas Senhoras e Senhores
Combatentes e Caros Camaradas

Com a nossa mística, tenacidade, sentido de pertença e orgulho de sermos portugueses, [que os séculos se encarregaram de valorizar e enobrecer], vamos conseguir, uma vez mais, ultrapassar as dificuldades que temos pela frente, evidenciando e garantindo à sociedade e ao país que as forças armadas com qualidade e segurança, continuarão a cumprir, escrupulosamente, as missões atribuídas sempre ao serviço do bem comum e do povo português.